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Vlemincx, Henri

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A Bélgica se envolveu muito cedo na construção da infraestrutura ferroviária do Brasil com a vinda do engenheiro Henri Vlemincx, que dirigiu de 1859 a 1865 o Serviço de Tráfego da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Vlemincx recebeu licença do exército belga para vir ao Brasil. No banco de dados dos Arquivos Nacionais da Bélgica, achamos o Henri Désiré Albert Joseph Vleminc, lieutenant du Génie, de 32 anos, vivendo no município de Ixelles (perto de Bruxelas) quem assinou o certidão de casamento da sua irmã Charlotte Joséphine Estelle Vlemincx no dia 03-05-1848. É bem provável que é o mesmo Henri. O jornal "Correio Mercantil" de 14 de Janeiro de 1860 anotou na primeira página a chegada do engenheiro Vlemincx em dezembro de 1859. Ele foi contratado na Europa por ordem do governo imperial, a pedido da diretoria da Estrada de Ferro Dom Pedro II para administrar a linha e tomou posso no dia 11 de dezembro de 1859. A tarefa de Vlemincx era a contabilidade do trafego, sua inspeção e fiscalização, baseada na prática dos processos e modelos usados nas estradas de ferro bem organizadas.

Ordem da Rosa

O livro "Brasil e Bélgica" informa que o inspetor geral Vlemincx "contribuiu para levar encomendas de material ferroviário para as metalúrgicas belgas". Infelizmente, detalhes sobre estas encomendas faltam.

No dia 24 de abril de 1865, Vlemincx voltou para a Europa, como consta no "Jornal do Commercio" do mesmo dia. O engenheiro recebeu bastantes elogias pelo trabalho prestado: "Estrangeiros como o Sr. Vlemincx são sempre bem-vindos: ao contrario da maior parte, ele via sempre em primeiro lugar o que havia de bom no Brazil, e ai detinha suas vistas, passando ligeiramente com a tolerância de um cavalheiro ilustrado e de fina educação, pelos defeitos inherentes a todas as comunões humanas". ... "sua lembrança pendurará gravada na memoria de todas aquelas pessoas que o tratárão de perto, que apreciarão suas eminentes qualidades..." e foi honrado pelo imperador Pedro II com a Ordem da Rosa. O mesmo jornal confirma as informação do livro "Brasil e Bélgica": "O Sr. Vlemincx não foi util somento ao Brazil; promovendo os interesses da empresa, obteve também resultados vantajosos para seu país. Por proposta sua fizerão-se encomendas de material para a estrada de ferro, na importância de centenas de milhares de francos a diversas fabricas da Bélgica; e o resultado correspondeu à espetativa, sendo todos os fornecimentos da melhor qualidade e por preços razoaveis. "

Vlemincx Henri A Gávea

O Henri Vlemincx, com nome escrito também como Henry Vleminckx ou Henry Vlemincx, era também artista amador. A Instituição Itaú Cultural guarda dele um álbum de 64 desenhos sobre o Brasil, feitos com lápis sobre papel entre 1861 e 1866. O álbum é proveniente da família do artista na Bélgica, e foi conservado por mais de cem anos juntamente com uma coleção de fotografias adquiridas por Vlemincx no Brasil, e algumas, talvez realizadas por ele. Estas fotos são hoje conservadas no Instituto Moreira Salles.

O trabalho de Vlemincx é importante por registrar vistas raramente observadas por artistas viajantes, mas é sobretudo curioso devido à sua insistência em usar o lápis quando a fotografia já era disponível, e poderia produzir em resultado de muito melhor qualidade na captura da paisagem em um tempo bem menor.

Fontes:

  • Le Brésil, l'Europe et les équilibres internationaux, XVIe-XXe siècles / Kátia M. de Queirós Mattoso,Denis Rolland. - Université de Paris IV: Paris-Sorbonne. Centre d'études sur le Brésil. - p. 229
  • Brasil e Bélgica : Cinco séculos de conexões e interações / organização Eddy Stols, Luciana Pelaes Mascaro e Clodoaldo Bueno. - São Paulo : Narrativa Um, 2014. - p. 87
  • Brasiliana Itaú: uma grande coleção dedicada ao Brasil / Pedro Corrêa do Lago. - São Paulo: Capivara, 2014. - p. 69