Em 21 de maio de 1846 Pierre Van Loo da cidade de Gent, com sua esposa e 4 filhos, e 19 trabalhadores rurais e agricultores, embarcou no navio belga "l'Adèle" saindo do porto de Antuérpia para o Brasil.
Estabeleceu-se com os seus colonos em anexo a colônia de Van Lede em fins de 1846. Segundo o seu relatório, os colonos belgas se achavam em estado miserável e passando fome. "Os demais colonos trabalham nas plantações dos brasileiros que já se achavam estabelicidos neste local, antes da vinda dos belgas, em desobediência o contrato firmado com Van Lede". (Ficker, p. 25-26)
A parta de planta (17.7.1847) marcada C foi separada por Sr. Pierre Van Loo que está atualmente ausente e que se encontra ocupada somente por um dos seus colonos de nome Leo De Coninck e sua família, assinalado com N° 3 bis. (Ficker, p. 38)
Foi provavelmente cônsul Sheridan quem incitou Pierre Van Loo, filho de um respeitado negociante de Gent, a investir sua herança de 10.000 francos neste projeto. Os colonos contratados em cartório, eram em maioria agricultores da região de Wingene, mas também alguns valões, dois operários, um ferreiro e um aluno de farmácia. (capítulo "Os ‘flamengos' do Brasil colonial" de Eddy Stols no livro "Brasil e Bélgica: Cinco Séculos de Conexões e Interações")
Uma carta extensa de 4 páginas enviada por Desterro, datada de 5 de agosto de 1846, da sua autoria é guardada no Arquivo do Ministério das Relações Exteriores em Bruxelas, Bélgica.
Escreveu Van Loo:
Em nossa chegada, encontramos a colônia em muito mau estado. Os senhores Vanderheyden, Lebon e Fontaine partiram em uma debandada. A maioria dos colonos belgas havia se comprometida com fazendeiros brasileiros que os haviam estimulado a esse ato de insubordinação, envolvendo-os com belas promessas que não cumprirão. Aqui está a causa do infortúnio deles. Há aqui um grupo poderoso formado por, entre outros, senadores e representantes chefiados pelo presidente da província e pelo juiz de direito e chefe de polícia. Este grupo antiestrangeiro possuiu em concessão grande parte do litoral baseado na exploração de famílias alemãs pobres que, depois de terem desmatado e cultivado uma grande extensão de terra, de repente viram-se despejados pela aparição de uma carta velha de propriedade.
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Se tivéssemos um apoio sincero e rigoroso, a Bélgica, com sua abundância de pessoas e produtos, poderia encontrar aqui uma saída considerável para ambos.
(Carta original em francês, tradução Marc Storms)
