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Bosmans Arthur (1908 - 1991)

Bosmans Arthur
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Arthur Louis Joseph Jean Bosmans (Sint-Gillis, Bélgica, 13 outubro 1908 – Belo Horizonte, 14 maio 1991) era autoditacto, tocava viola, piano, clarineta e trompeta, além de ser componista e dirigente.

Com 18 anos entrou na Marinha belga onde trabalhou até 1931. A sua composição "De straat/La rue" (A rua), uma poema sinfônica, ganhou em 1935 o primeiro lugar na competição César Franck do Conservatório de Liège. No mesmo ano, durante a Feira Mundial em Bruxelas, houve um concerto com composições de Bosmans. No período seguinte estudou com Désiré Defauw e Löwenstein e foi membro da Orquestra Filarmônica de Antuérpia. Em 1938 foi editor da revista Revue Musicale Belge e diretor do Ballet Belowa. Na eclosão da Segunda Guerra Mundial, voltou à Marinha belga onde ajudou na transferência de tropas militares no Canal da Mancha. De Londres, atingiu Lisboa, onde suas composições foram executadas. Lá se familiarizou com Darius Milhaud e graças a ele, visitou o Brasil. Lá conheceu, entre outros, Heitor Villa-Lobos. Na temporada 1941/1942 ele foi regente de uma orquestra sinfônica de Belo Horizonte e professor do Conservatório Brasileiro da Universidade Federada de Minas Gerais. Também conduziu Pro Musica e as orquestras sinfônicas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na temporada de 1943, ele continuou sua condução no Brasil, como líder da orquestra sinfônica local de Bela Horizonte. Em 1953 foi naturalizado para o Brasil.

A data de seu casamento com a atriz brasileira Walkyria de Oliveira é desconhecida. Seu filho Jaak Bosmans seguiu o pai e tornou-se também pianista e dirigente.

Arthur Bosmans apresentou, em concertos que realizou no Velho Continente, obras de nomes brasileiros como Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez, Edino Krieger e Radamés Gnattali; e na via contrária, o maestro teve importante papel na difusão, em Minas Gerais, de compositores como Ravel, Claude Debussy e Jacques Ibert, entre outros. "Ele vivia a dicotomia de ser considerado um gringo aqui e um brasileiro no exterior. Toda vez que ele ia para a Europa à convite para reger alguma orquestra, sempre fazia questão de incluir compositores brasileiros nos programas que apresentava", diz seu filho, Jaak Bosmans. "Meu pai fazia uma espécie de intercâmbio, porque também apresentou muitos compositores europeus no Brasil", completa, ressaltando a afeição que o maestro nutriu pelo Estado que o acolheu.

"Ele sempre foi uma pessoa de Minas Gerais, viveu meio século em Belo Horizonte por escolha. Depois de se naturalizar brasileiro e estar à frente das orquestras do Teatro Municipal, da Rádio Nacional e da Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro, ele veio para a capital mineira a convite de Juscelino Kubitschek e construiu sua história musical na cidade", aponta.

Jaak considera que a contribuição mais importante de seu pai para a música no Estado foi no sentido de popularizar o universo erudito. "Ele sempre lutou contra a ideia da música erudita como uma coisa hermética, para iniciados. Meu pai acreditava que qualquer pessoa que tivesse acesso a uma peça sinfônica, entenderia perfeitamente. Ele costumava fazer concertos populares no estádio do Paysandu, onde hoje é a rodoviária, para um público formado por operários que trabalhavam ali por perto", diz, ressaltando a preocupação do maestro com o entendimento da plateia. "Os concertos que meu pai fazia tinham um ingrediente didático. Ele mostrava os instrumentos, explicava a diferença entre uma viola e um violino, entre o contrabaixo e o violoncelo. Era um trabalho no sentido de popularizar sem vulgarizar", destaca.

Foi premiado com uma medalha de ouro - Música clássica - pela Académie Internationale de Lutece em 1975.

Belo Horizonte o homenageou com a Rua Maestro Arthur Bosmans.

Obras:

  • La rue
  • La nuit hindouw
  • Suite Sud Américaine
  • La vie en bleu
  • James Ensor suite
  • Balada para piano e orquestra
  • Erasmus van Rotterdam
  • 24 Horas de Sueno
  • O Brasileiro
  • João de Sousa
  • Visiones de la guerra (ballet)

 

 

Fontes: