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Vitrais belgas no casarão da família Carlos Leôncio (São Paulo)

Location: 
Avenida Higienópolis 758 , São Paulo - São Paulo

Carlos Leôncio (Nhonhô) de Magalhães (Araraquara, 1875 – São Paulo, 1931) foi um fazendeiro, empresário, financista e banqueiro brasileiro. Chamado de quarto Rei do Café, Nhonhô foi um dos mais ricos cafeicultores paulistas do início do século XX. Desde cedo envolvido com o mundo agrícola, Carlos Leôncio tem seu nome associado a diversas fazendas do Oeste Paulista, particularmente a Cambuí, a Barreiro Rico e a Itaquerê, que posteriormente deram origem a cidades como Matão, Nova Europa, Santa Ernestina, Gavião Peixoto e Tabatinga.

Nos anos 1930 Nhonhô dá início à construção de sua nova residência na capital paulistana. O local escolhido foi o número 758 da Avenida Higienópolis (terreno contíguo ao de sua casa anterior), na altura da esquina com a Rua Albuquerque Lins.

O imóvel, de estilo eclético, foi erguido entre 1930 e 1937° sob a responsabilidade do escritório Siciliano & Silva. A casa possui 2.463 metros quadrados distribuídos em cinco andares. O palacete ostenta piso de marchetaria, lustres de ferro fundido, lambris e móveis de Jacarandá-da-bahia entalhados pelo artista italiano Dinucci, vitrais belgas, mosaicos com vidro Murano e teto em madeira de lei ornamentado em gesso.

Casa Carlos Leôncio Vitrais belgas colorados

Casa Carlos Leôncio Vitrais belgas colorados

Os vitrais mais impressionantes, estão no hall de entrada, acima da escadaria no primeiro andar. São no total cinco vitrais iguais, dos quais as partes superiores podem abrir-se. A porta de entrada é decorada com vidros em cor amarela com partes redondas em cor azul. A porta do hall no lado esquerdo, tem vidro incolorido. Acima a porta do banheiro, no primeiro piso, há vitrais incolorados em estilo art deco. E acima da porta da entrada do anfiteatro, há também um vitral com diferentes tipos de vidro incolorado.

Casa Carlos Leôncio Vitral belga incolorado

Casa Carlos Leôncio Vitral belga incolorado

Casa Carlos Leôncio Vitral belga colorado porta entradaCasa Carlos Leôncio Vidro belga incolorado porta hall

Cada quarto tem uma pintura totalmente diferente, sempre imitando tecido, com padrões típicos de castelos franceses. No primeiro andar há uma pequena capela inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa, e os entalhamentos na madeira da escada principal exibem inúmeros símbolos religiosos. No subsolo, há um anfiteatro com capacidade para quase 50 pessoas sentadas, enquanto que na sala um balcão todo em jacarandá mostra o apreço que os donos tinham por saraus e apresentações musicais.

Carlos Leôncio faleceu antes da conclusão da obra. Sua mulher e cinco de seus filhos chegaram a habitá-la, porém após onze anos a casa foi vendida. Em 1974 ela passou a ser a sede da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e da Delegacia Antissequestro.

O Shopping Pátio Higienópolis, controlado pelo Grupo Malzoni, comprou o imóvel em um leilão do governo estadual nos anos 2000 por cerca de R$ 19,5 milhões de reais e deu início a um processo de restauro.

Hoje o casarão é protegido pelo Patrimônio Histórico ao nível nacional e estadual.

° Há discussão sobre as datas da construção. Durante minha visita no dia 19 de agosto de 2018 - a jornada do patrimônio - o restaurador Toninho Sarasá informou que o primeiro programa já data de 1909. Ele também relatou que todos os vidros foram fornecidos pela Casa Conrado.

Fonte

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carlos_Le%C3%B4ncio_de_Magalh%C3%A3es

Fotos:

Marc Storms, 19 de agosto de 2018