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O chalé de ferro da antiga residência de Eugênio da Silva Gaspar (Belém)

Location: 
Rua Augusto Corrêa, Belém - Pará
Belem Chalet Imprensa Oficial
Tombado: 
sim

Dos chalés de ferro de origem belga construido com o sistema Danly, este é o menos descaracterizado. Pertence hoje ao Governo do Estado do Pará, que o adquiriu da viúva Eugênio da Silva Gaspar, em 22 de maio de 1925. 

Seu partido arquitetônico é inteiramente diferente das demais casas de Belém. A casa é dotada de um pequeno alpendre e os compartimentos se dispõem de ambos os lados de um corredor central. As paredes são ocas e, aqui, a distancia existente entra suas duas faces é de 0,40 m. As chapas estampadas tem formas distintas de todas as já encontradas no Brasil e que indicavam ser produtos de outra fabrica. 

Pode ter sido um dos produtos mais antigos da “Forges d’Aiseau”.

A cobertura da casa tem estrutura em ferro e recobrimento com telhas onduladas em duas águas. Estas características não são de todo estranha à firma belga.

Os forros, tanto do alpendre como do corredor e dos compartimentos, são todos horizontais, em chapas de ferro. A estampagem é igual às chapas do forro horizontal da casa situada na Avenida Generalíssimo Deodoro.

O chalé de ferro representava um momento de influência estrangeira no Estado e no país, e marco singular na arquitetura brasileira, pois, constitui-se um dos três únicos exemplares de arquitetura residencial pré-fabricada e importada no país. 

Ele situava-se bem afastado do centro da cidade, à Estrada de Ferro de Bragança, depois Tito Franco e hoje Av. Almirante Barroso 735, no Marco da Légua, atual Bairro do Marco. Depois de moradia serviu como instalação provisória da polícia Militar, em 1932. Foi em seguida abandonado e, em 1946, instalouse ali o Departamento de Estradas de Rodagem que lá permaneceu até 1957. Finalmente o chalé foi doado à Imprensa Oficial do Estado e, em 1964, este órgão público ali se instalou até 1985. E, posteriormente tombado e doado à Prefeitura de Belém para ser remontado no campus da UFPa.

Inicialmente, como residência, obedecia ao costume inglês, por sua localização distante do centro da cidade, o que combinava muito bem com o bucolismo nortista refletido em sua frente avarandada. Assemelhava-se, assim, a uma “rocinha”. E o que reforçava mais ainda este aspecto era o seu imenso jardim de árvores frondosas, geralmente frutíferas, da Amazônia, que proporcionavam boa sombra sobre os largos gramados ao gosto de seus moradores estrangeiros.

A área, cercada por muros em grades de ferro ao modelo da época, compunha uma trilogia casa-jardim-rua, elementos que integrados mantinham a inteira privacidade da moradia. 

Fontes:

Imagem: Diario Oficial Estado de Pará 14/04/2011 N° 31.895