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Bernardet, Jean-Claude Georges René (1936 - )

Jean-Claude Bernardet
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Jean-Claude Georges René Bernardet (Charleroi, Bélgica 1936). Romancista, crítico de cinema, roteirista e cineasta. Vive em Paris até a adolescência, quando seu pai, pertencente à Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial, desiludido com o resultado das eleições de 1948, muda-se com a família para o Brasil, e passa a residir na cidade de São Paulo, em 1949. Bernardet forma-se em artes gráficas no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Ainda jovem, se interessa por cinema e frequenta cineclubes, nos quais chega a assistir a três filmes por dia. No fim da década de 1950, conhece o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes (1916 - 1977), que se torna importante em sua formação. Bernardet é convidado pelo crítico a escrever resenhas de filmes para o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo. Naturaliza-se brasileiro em 1964. No ano seguinte funda, também com Salles Gomes, o jornalista Pompeu de Souza (1914 - 1991) e o cineasta Nelson Pereira dos Santos (1928), o primeiro curso universitário de cinema no Brasil, na Universidade de Brasília (UnB), que é fechado pelo governo militar no fim de 1965.

Interlocutor dos cineastas da geração do cinema novo, especialmente Glauber Rocha (1938 - 1981), Bernardet lança seu primeiro livro de crítica cinematográfica, Brasil em Tempo de Cinema, em 1967. Nesse ano colabora com o cineasta Luís Sérgio Person (1936 - 1976), redigindo o roteiro para o filme O Caso dos Irmãos Naves. Um ano depois, em 1968, começa a lecionar na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), pela qual se aposenta, em 2004. Na década de 1970, parte para um exílio em Paris, e estuda na École des Hautes Études en Sciences Sociales [Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais]. Torna-se importante crítico de cinema do Brasil, escreve obras como Cineastas e Imagens do Povo, em 1985, e Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro, em 1995, e sua estreia como romancista ocorre com o livro Aquele Rapaz, em 1990. Escreve também A Doença, uma Experiência, livro parcialmente ficcional em que relata sua vivência como portador do vírus da aids, lançado em 1996, após dois livros em colaboração com o crítico e professor Teixeira Coelho (1944), Os Histéricos e Céus Derretidos. No mesmo ano, dirige São Paulo - Sinfonia & Cacofonia e recebe o prêmio de melhor curta no festival de Montevidéo. Participa da chamada "retomada" do cinema brasileiro, sobretudo ao ser o corroteirista de Um Céu de Estrelas, de 1995, e Através da Janela, 1999, filmes da diretora Tata Amaral (1961). Recebe homenagem por seus 70 anos, reunida no livro Jean-Claude Bernardet, uma Homenagem, lançado em 2007.

Além de sua importância como escritor e teórico, participou de importantes filmes, como roteirista, assistente de direção e ator. Jean-Claude participou como ator: “Amador” (2013), “Hamlet” (2014), “No vazio da noite” (2015) e “Fome” (2015).

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