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Douliez Jean François (1903-1987)

Douliez Jean
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Jean François Douliez (Hasselt 1903 – Bruxelas 1987), foi compositor, arranjador, intérprete, maestro e professor, nascido em Hasselt, Bélgica, filho de mãe pianista e pai músico do Primeiro Regimento do Exército de Hasselt.

Realizou os estudos primários na Escola Municipal de sua cidade, concluídos em 1913, freqüentou no curso secundário a Ecole Moyenne de l’Etat de Hasselt concluindo em 1916, simultaneamente estudava na Escola Municipal Interdiocesana Liburguesa de Musica Sacra em Hasselt, estudando Piano, Órgão, Latim, Canto Gregoriano e Harmonia, estudou Teoria Musical e Harmonia no Conservatório de Musica de Hasselt, formando-se em 1919, posteriormente ingressa no Curso de Humanidades Modernas, no Átheneé Royal de Hasselt, Em 1922, foi diplomado com grande distinção pelo Conservatório de Música Real Flamengo de Antuérpia, na Bélgica, onde realizou estudos superiores de Violino, Harmonia, Contraponto, Fuga, Composição, Música de Câmara, História da Música, História Geral, História da Arte, Filosofia, Literatura, Regência, Canto Coral, Violoncelo e Piano de acompanhamento. De 1927 a 1928, cursou Composição Musical com o Mestre Vincent d’Indy (1851-1931), em Paris e, simultaneamente, aperfeiçoou-se em Violino e Música de Câmara com Lucien Capet (1873-1928). Nesta mesma época, participou como ouvinte dos cursos de Filosofia e Filologia Neolatina e Germânica na Universidade de Sorbonne de Paris. Diplomou-se professor de Música do Ensino Oficial do grau superior da Bélgica, expedido pelo Ministério da Instrução Pública da Bélgica, em nome de Sua Majestade o Rei dos Belgas, após aprovação em concurso, em 13 de setembro de 1937, conforme decreto real de 23 de junho de 1932.

Atuou na Segunda Guerra Mundial, de setembro de 1944 a setembro de 1945, o Maestro - cuja patente era de Capitão da Reserva - ainda em mobilização militar - participou da Batalha dos Ardenas (Ofensiva Hundstedt) na Bélgica, junto ao Exército Americano, sob o comando do General Bradley, na qualidade de oficial do Special Service.
Foi enviado em Missão Cultural ao Brasil em 1946 com o objetivo de divulgar a música Belga e estudar a música brasileira, passando pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, contribuindo consideravelmente na configuração cultural. Durante sua estada, encontrou no Rio de Janeiro Heitor Villa-Lobos, de quem era amigo desde 1926, quando de sua estada no Rio de Janeiro, em missão artística e da época em que ambos estiveram na França. Villa-Lobos havia fundado e dirigia a Escola Nacional de Canto Orfeônico. Pela intervenção do grande maestro e compositor brasileiro, Douliez foi recebido pelo Ministro de Instrução e da Cultura, que colocou todo o Ministério disponível para auxiliá-lo no planejamento e a resolver todos os problemas restantes da exposição belga que se faria. Em outubro 1949, o Maestro embarcou novamente para o Rio de Janeiro, com destino a Belo Horizonte, para cumprir nova tarefa diplomática. Depois de ter realizado seus trabalhos, Douliez decidiu estabelecer-se definitivamente na capital mineira, recomeçando sua vida profissional artística e abandonando suas atividades diplomáticas. Durante sua estada na capital de Minas Gerais, J. F. Douliez registra que fundou e foi professor da Escola de Formação Musical do Departamento de Instrução da Polícia Militar de Minas Gerais (DIPM-MG); fundou e regeu a Orquestra Sinfônica e Coro Orfeônico da Polícia Militar de Minas Gerais.

Em outubro 1954, Douliez viajou à Goiânia e, após três semanas, decidiu que aceitaria a incumbência de fundar o Instituto de Música da Escola Goiana de Belas Artes (IMEGBA). Jean Douliez colaborou com a construção da identidade musical de Goiás, ajudando na formação do Quarteto de Cordas da Orquestra da Câmara da Alvorada, da Orquestra Sinfônica de Goiás e da Orquestra Sinfônica Feminina, contribuindo também para a inclusão do Conservatório Goiano de Música na UFG, que posteriormente passou a se chamar EMAC (Escola de Música e Artes Cênicas). Douliez também tornou-se colaborador do Jornal O 4º Poder, como titular da coluna MÚSICA, a partir de 12 de maio de 1964, assinando como Maestro Jean François Douliez, do Conservatório de Música da UFG. Procurou em seus escritos semear cultura e erudição, até o fechamento deste hebdomadário da UFG, em 1964. Em 1961, Jean François Douliez, vivendo em Goiânia, naturalizou-se cidadão brasileiro, passando a se chamar João Francisco Douliez do Araguaia, casou-se em 21 de agosto de 1965, em Goiânia, com a Senhora Yolande Goes, que havia sido sua aluna de violino. Com o Golpe Militar em 1964, muitos amigos foram exilados, mas segundo relatos de conhecidos do músico, Jean Douliez foi embora do Brasil voluntariamente, aproveitando o pretexto humanístico da saúde precária de sua mãe, que veio a falecer em 1971, e a possível não adaptação de Dona Yolande em Goiânia.

Depois de 17 anos, ele retornou à Bélgica e, mais especificamente, a Gent, onde foi maestro em várias orquestras e fundou a Orquestra de Estudo da Sinfonia de Ghent em 1981. Ele também foi frequentemente convidado com jurado em vários conservatórios e academias de música na Flandres.

Faleceu em 9 de outubro de 1987 em Bruxelas.

Fontes: