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Lombaerts, Jean-Baptiste e Henri Gustave

Lombaerts Henri Gustave
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O litografo belga Jean-Baptiste Lombaerts (1821 - 1875), sua esposa Karoline Leiden e seu filho Henri Gustave Lombaerts (1845 – 09.06.1897) chegaram nos anos 1840 ao Rio de Janeiro, vindos de Antuérpia. Ele montou em 1848 na Rua da Quitanda, 68, no centro da cidade de Rio de Janeiro, sua tipografia. Em 1853, mudou-se para a Rua dos Ouvires, 17 onde estabeleceu uma conceituada livraria, continuada pelo seu filho.

Ao Missal, como era chamada a empresa de Lombaerts & Cia, funcionava como livraria, fiz encadernação, trabalhava também como agência de assinaturas aos jornais da Europa e era especializada na literatura publicada em França e Bélgica.

Lombaerts A EstaçãoA partir de 1872, a Lombaerts & Cia produziu um suplemento em português que acompanhava alguns dos periódicos estrangeiros de maior destaque em seu catálogo, em especial a revista francesa La Saison, que circulou no Brasil de 1872 a 1878. Tendo seu pai falecido em 1875, em 15 de fevereiro de 1879 Henri Gustave Lombaerts passou a editar sua própria edição brasileira da revista, com o título de A Estação. A revista quinzenal destacou-se pelo suplemento literário, que publicou um número apreciável de colaborações de Machado de Assis; entre elas, muitas de suas Histórias sem Data e a seriação do romance Quincas Borba. Essas duas obras foram reimpressas por Lombaerts, na forma de livro, para a editora Garnier. Outros autores, como Arthur Azevedo, Olavo Bilac, Júlia Lopes de Almeida, Luiz Murat e Raymundo Corrêa, também colaboraram no suplemento literário. Conforme editorial da edição de 15 de março de 1882, a tiragem de A Estação nesse ano era de 10 mil exemplares, sinal de que o periódico havia conquistado boa aceitação frente ao público.

Em 1880, H. Lombaerts lançou A Nova Semana Illustrada e Pena e Lapis.

O fotógrafo Marc Ferrez esteve associado a Henri Lombaerts em diversos projetos, chegando ambos a formar uma sociedade comercial para o lançamento de platinotipias na Galeria e, mais tarde, para a impressão de fototipias no jornal A Estação, assim como para a edição de postais e outras publicações ilustradas ao longo das décadas de 1880 e 1890. Ambos também estiveram próximos de Machado em muitas ocasiões.

Lombaerts executou muitos outros contratos de impressão, tanto para editoras como para autores. A Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro contem 207 registros no período 1873 – 1902, da Editora H. Lombaerts, dos quais a maioria, sendo 143, são livros.

J. B. Lombaerts era em 1861, conselheiro da Sociedade Belga de Beneficência. Esta sociedade era criada no dia 6 de maio de 1853. Em 1865 tornou-se vice-presidente e a partir 1872, era presidente, função que exerceu até sua morte. Depois sua morte, seu filho H. Lombaerts, exerceu, a partir de 1876, a função de vice-presidente.

Lombaerts Henri GustaveQuando Henri Lombarts faleceu, em 1897, foi Machado quem lhe escreveu o obituário nas páginas d’A Estação (edição de 15 de julho de 1897). Retrato póstumo e emotivo, que parecia revelar não somente as qualidades do editor e amigo, mas aquelas que o antigo colaborador tomava também para si:

Durante muitos anos entretive com Henrique Lombaerts as mais amistosas relações. Era um homem bom, e bastava isso para fazer sentir a perda dele; mas era também um chefe cabal da casa herdada de seu pai e continuada por ele com tanto zelo e esforço. Posto que enfermo, nunca deixou de ser o mesmo homem de trabalho. Tinha amor ao estabelecimento que achou fundado, fez prosperar e transmitiu ao seu digno amigo e parente, atual chefe. A Estação e outras publicações acharam nele editor esclarecido e pontual. Era desinteressado, em prejuízo dos negócios a cuja frente esteve até o último dia útil da sua atividade. Não é demais dizer que foi um exemplo a vida deste homem, um exemplo especial, por que no esforço continuado e eficaz, ao trabalho de todos os dias e de todas as horas não juntou o ruído exterior. Relativamente expirou obscuro; o tempo que lhe sobrava da direção da casa era dado à esposa, e, quando perdeu a esposa, às suas recordações de viúvo.

Lombaerts é um sobrenome bem comum na Bélgica. Encontramos – com o mesmo sobrenome - algumas editoras / impressoras na Bélgica, como, por exemplo, Drukkerij A. Lombaerts na cidade de Boom, P. Lombaerts em Schoten, e a mais conhecida, Imprimerie Th. Lombaerts em Bruxelas. Faltam informações sobre as relações familiares entre essas editoras / impressoras e Jean-Baptiste ou Henri Gustave Lombaerts que migraram para o Brasil.

Texto e Pesquisa: Marc Storms

Fontes:

  • O livro no Brasil: sua história / Laurence Hallewell. – São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005.
  • Books and periodicals in Brazil 1768-1930 a transatlantic perspective / Ana Cláudia Suriani da Silva; Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos. London: Legenda Modern Humanities Research Association and Maney Publishing, 2014.
  • A “CRIATURA” E O “ESPELHO”: o retrato de Machado de Assis por Marc Ferrez / Maria Inez Turazzi. 201 4 - maio - ago. - n. 2 - v. 24 - A LETRIA p. 13-29.
  • https://bndigital.bn.gov.br/.../