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MORIMONT, Léon Alphonse (1850 – 1899)

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Léon Alphonse (Leão Affonso) Morimont nasceu em 22 de dezembro de 1850 em Arbre (Namur), Bélgica, e faleceu em 1899, perto da Costa do Marfim, África. Era engenheiro agrônomo.

Filho de fazendeiro em Loverval, Hainaut, em seu país natal, estudou na célebre Escola de Gembloux, formando-se com distinção. Foi, inicialmente administrador de fazenda na França. Trabalhou na Espanha, em La Constança, e depois perto de Palermo, na Sicília, Itália; em Portugal, perto de Sintra; e no Senegal, onde foi bem sucedido, mas uma doença tropical obrigou-o a voltar à Europa. Durante três anos trabalhou na Espanha, em Andaluzia, em vinhedos, cultivo de cereais e irrigação.

Veio ao Brasil em 1893 para assumir em Piracicaba a direção da Fazenda São João da Montanha, a futura Luiz de Queiroz. O secretário estadual da agricultura, comércio e obras Jorge Tibiriçá Piratininga fez-lhe o convite para dirigir a fazenda e elaborar o projeto da escola. Leão foi nomeado pelo decreto de 17 de novembro de 1893 para "iniciar os trabalhos de adaptação da Fazenda São João da Montanha em Piracicaba, para nela funda-se uma escola agrícola de educação profissional". Ele começou no local no dia 7 de dezembro de 1893.

O projeto de ensino técnico agrícola elaborado por Morimont em 1894 figura em relatório técnico publicado no ano seguinte. Consta "triste era o estado da fazenda" e comentou "não encontrando plantações de café, cana ou outra matéria ... pontes caídas, casas em ruínas." No projeto de organização previu um colégio internato para 80 a 100 alunos e um curso profissionalizante de três anos, um posto zootécnico e uma fazenda-modelo. No plano de cultura serão plantadas cana de açúcar, milho, batata doce, feijão, alem alfafa e capim, arroz, mandioca e com experimento fumo, algodão e café. Na horta repolho, tomate, alho-poro e sersefim. Optou para uma cultura agrícola intensiva: "Sabe-se que a Bélgica que tem 210 habitantes por km² é um país de cultura tão intensiva, que o denominaram Jardim da Europa".

Morimont permaneceu três anos em Piracicaba (dezembro de 1893 a novembro de 1896), empenhando-se no seu trabalho, mas viu-se obrigado a interrompê-lo, por determinação superior. Amargou uma exoneração em fins de 1896. Passou, então, a dirigir com êxito uma vasta propriedade agrícola africana em São Tomé. A antiga enfermidade contraída no Senegal voltou a fragilizá-lo e ele morreu num navio quando regressava ao seio da família, perto da Costa do Marfim. Deixou esposa e filhos, um deles agrônomo como o pai, e também um irmão, Jules, um e outro formados pela Escola de Gembloux como o pai.

A ESALQ preserva a documentação de Morimont: cartas, relatórios técnicos. Teve textos de sua autoria publicados no jornal O Estado de S. Paulo e na Revista Agrícola, em favor do ensino de agronomia. “Otimista, confiante na pujança do Brasil e no potencial econômico paulista”, Morimont propôs para a futura escola de agronomia em Piracicaba “um bem dosado equilíbrio entre teoria e prática, havendo esta por predominar sobre aquela” (Perecim, 2003).

Fontes: