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Estátua da Virgem no mosteiro de Santa Maria

Location: 
Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, 4650, São Paulo - São Paulo
Van Emelen Mosteiro de Santa Maria Estatua da Virgem

O mosteiro beneditino Santa Maria na cidade de São Paulo, tornou-se em 1918 a primeira abadia feminina da América Latina com freiras enclausuradas. Sua fundação foi iniciativa do abade Dom Miguel Kruse, do mosteiro de São Bento em São Paulo, e de Ana Abiah da Silva Prado (1878 – 1944), filha de Antônio da Silva Prado e da inglesa Maria Sophia Rudge, uma das mais tradicionais famílias paulistanas. Fluente em português, inglês e francês, Ana, visitou diferentes mosteiros beneditinos em 1904 na Europa. Na Bélgica, conheceu o Maredsous, fundado em 1872, e o novo mosteiro “Sint-Andriesabdij van Zevenkerken”, perto de Bruges, construído entre 1899 e 1900 por Dom Gerard van Caloen. [1] Dom Gerard van Caloen havia conhecido o Brasil em 1895 durante uma missão de revitalização das abadias beneditinas brasileiras. O mosteiro “Sint-Andriesabdij van Zevenkerken” foi também o local onde Dom Amaro, ao retornar para a Bélgica em 1899, foi nomeado chefe da administração, posto que ocupou até sua mudança definitiva para o Brasil, em 1903.

Em 1907, Ana Abiah ingressou na Abadia de Nossa Senhora da Consolação, em Stanbrook, Inglaterra, recebendo aí sua formação monástica beneditina. Ganhou o novo nome de irmã Gertrudes. Em 1911, retornou a São Paulo com três jovens brasileiras e três inglesas, também formadas em Stanbrook. Na capital paulista, foi fundado, com os recursos de Ana Abiah, o mosteiro de Santa Maria na região da Av. Paulista, na Rua São Carlos do Pinhal, em 24 de novembro de 1911, transformado em abadia em 25 de janeiro de 1918. A irmã Gertrudes seria a primeira abadessa do mosteiro até sua morte, em março de 1944.

Adrien van Emelen mencionou na carta de apresentação ao diretor do Museu Paulista de 16 de maio de 1921 que ele havia executado uma estátua para o mosteiro de Santa Maria, sem dar outras informações. As informações seguintes foram retiradas do livro Crônicas do mosteiro de Santa Maria de 1921 [2] :

Dia 2 de setembro:

Uma bonita estátua da Virgem Maria, em mármore branco e de grande naturalidade, finalmente ocupa o lugar de honra que lhe havia sido reservado por muito tempo na fachada da nossa Abadia, em um nicho colocado ao lado da entrada principal. Nossa Mãe dos Céus se senta como padroeira e soberana do nosso mosteiro. Ela segura o cetro em sua mão direita e seu Filho divino sentado nos seus joelhos. Esta estátua, obra de um artista belga, Henri van Emelen, escultor de Sua Majestade o Rei da Bélgica, nos foi oferecida pela nossa generosa benfeitora, a Sra. Carolina Prado, tia da Senhora Abade. Assim que a estátua foi colocada (o que dificultou os trabalhadores, porque essa pesa 1.800 kg), a Comunidade encontrou-se na despensa, de onde se pode ver o perfil da estátua, e entonou cheio de entusiasmo o "Salve Regina".

Van Emelen Mosteiro de Santa Maria Estatua da Virgem

O mosteiro Santa Maria permaneceu nesse endereço até 1976. Os altos prédios que começaram a ser erguidos na região, junto com o ruído dos automóveis e a falta de privacidade, levou a ordem a transferir o mosteiro para o atual endereço, na Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, 4650, no Tremembé, em frente à Serra da Cantareira. Diferente do anterior, este local está é cercado por vegetação e os fundos do terreno, mal podem ser vistos a partir da avenida. A pesada estátua da Virgem, que mede cerca de 1m75cm de altura, foi colocada no muro de concreto do novo prédio próximo à rampa de entrada. Lá foi colocada em um pedestal, também de concreto, a uma altura de cerca 2m75cm, de onde e pode ser admirada por todos os visitantes do mosteiro.

Antigo Predio do Mosteiro de Santa Maria em São Paulo

Fontes

[1] Disponível em <http://www.abadiadesantamaria.com.br/>. Acesso em: 22 mar 2018.

[2] Arquivo Mosteiro de Santa Maria, São Paulo, Crônicas, Ano 1921, p.58 a. Traduzido do francês pelo autor deste texto.

Foto preto branco: Correio da Manhã, 26/11/1961 p. 16 com foto

Foto colorido: Marc Storms, fevereiro de 2018

Texto e pesquisa: Marc Storms