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Museu Paulista (São Paulo) - estudo dos vasos da escadaria

Location: 
Parque da Independência, São Paulo - São Paulo
São Paulo Museu Paulista Desenho Escada van Emelen

A escadaria do Museu é um espetáculo à parte. Ela em si já é uma obra de arte. Sobre seus corrimões estão colocados ânforas de cristal com base de bronze com amostras das águas dos rios brasileiros que foram navegados pelos bandeirantes. 

Os suportes de bronze trazem as características da fauna e flora da região, no caso das bacias amazônica e platina; para a bacia do Prata, a anhuma, e para a amazônica, o jacamim. A concepção dos suportes de bronze dos vasos que carregam as ânforas foi de responsabilidade de Adriaen Henri Vital Van Emelen. Quem os esculpiu, não é claro. Alguns suportes tem o nome do escultor Elio de Giusto. Nas pilastras da escadaria, oito vasos. Nas oito pilastras menores previu-se colocar vasos também menores. 

Esta obra foi solicitada pelo então diretor da instituição, Afonso D’Escragnolle Taunay. Dois anos depois que ele assumiu o posto de diretor do Museu Paulista, em julho de 1919, Taunay escreveu para Oscar Rodrigues Alves, Secretário do Interior (do Estado de São Paulo), sobre seus planos para completar a decoração interna do Museu. 

Com a imagem dos rios brasileiros, simbolicamente representados por essas ânforas d’água, Afonso Taunay procurou representar o “conjunto do território nacional”, conquistado através da navegação de uma imensa rede hidrográfica

Em fevereiro de 1920 em carta, Pinto o Couto lhe perguntou novidades sobre “aos ‘vasos’ de que falamos”. Taunay respondeu “Há grandes expectativas, mas está tudo suspenso até agora, até a posse do novo governo ainda não tive autorização alguma. (...) Como lhe disse o serviço de estatuária do Museu constará de 6 estátuas de mármore e 1 de bronze, além dos vasos ornamentais também de bronze.”

Taunay sabia que era melhor esperar a chegada da comemoração do centenário da independência do Brasil para falar com políticos sobre seus planos. E um ano depois, em 6 de julho 1921, o Diretor em Comissão do Museu – provavelmente Taunay - apresentou o projeto para o novo Secretário do Interior Dr. Alarico Silveira e explicou os detalhes e preços: “Para os vasos não tenho a proposta do Snr. Emelen que V. Ex. já conhece; executa os oito vasos monumentais por dez contos segundo o projeto que V. Ex. já conhece e aplaudiu.

Três estudos de vasos e um “Detalhe da escadaria do Museu Paulista, com estudos de vasos” de autoria de van Emelen foram exibidos na exposição “Coleções em Diálogo: Museu Paulista e Pinacoteca de São Paulo” que aconteceu na Pinacoteca de 25 de janeiro de 2016 até 30 de janeiro de 2017.

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Escadaria com vasos Museu Paulista van Emelen

Por razões ainda não descobertas, Adrien van Emelen não criou os vasos. O dinheiro não foi liberado ou os planos mudaram? Não foram achadas noticias sobre os vasos até 1927 quando Taunay solicitou a quantia de cinco contos de réis para encomendar os oito vasos ao escultor Elio De Giusto (Itália, 1899 - São Paulo, 1935). E os vasos que encontram-se na escadaria do Museu Paulista tem a assinatura deste escultor.

As duas primeiras ânforas foram instaladas em 1928 e carregavam as águas, misturadas, dos cursos de rios localizados nos extremos do país: Oiapoque e Chui (Norte e Sul) em uma, e Capibaribe e Javari (Leste e Oeste) na outra. É grande a importância de Afonso Taunay para o processo histórico do Museu, isso graças a seu profundo conhecimento sobre o bandeirismo paulista e do período colonial brasileiro. Ainda sobre as ânforas, foram colocadas, em 1930, as outras dezesseis peças que completam o conjunto, estas com as águas dos rios Tocantins, Parnaíba, Paraíba, Carioca, Madeira, Paraná, Capibaribe, São Francisco, Paraguai, Amazonas, Negro, Uruguai, Piranhas-Açu, Doce, Jaguaribe e Tietê. A colocação da última ânfora na escadaria aconteceu em 1931. Os recipientes de cristal tem capacidade de 10 litros. A única troca de água foi feita em 1991.

A representação da nação no Museu Paulista, através das águas dos rios, foi a estratégia adotada para a inserção de elementos alegóricos na construção da identidade nacional, aos quais somaram-se também exemplares da fauna (especialmente aves) e da flora.

Texto e fotos: Marc Storms

Fontes: