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Viaduto Santa Ifigênia (São Paulo)

Location: 
Viaduto Santa Ifigênia, São Paulo - São Paulo
São Paulo Viaduto Santa Ifigenia
Data começo construção: 
quarta-feira, 30 Novembro, 1910
Data de inauguração: 
sábado, 26 Julho, 1913
Tombado: 
sim

Com 225 metros, o viaduto Santa Efigênia, o segundo viaduto da cidade, foi inaugurado em 26 de julho de 1913 para ligar o centro novo ao centro velho como fazia o Viaduto do Chá. A construção surgiu da necessidade de livrar do congestionamento o “ponto mais embaraçado da cidade  - o cruzamento das ruas São Bento e Direta – desviando por outra zona grande numero de bondes e veículos que circulavam pelo viaduto do Chá”, informava o 'Estado' em janeiro de 1911.

O viaduto foi construído com 1.100 toneladas de ferro. As peças que compõem o estilo art noveau do viaduto, vieram da "Société Anonyme des Aciéries d'Angleur" (Tilleur, Bélgica), perfuradas e moldadas e bastava montá-las. Para realizar o projeto, a prefeitura pediu um empréstimo de 250 mil libras aos ingleses. Foi o primeiro endividamento externo da cidade, que só foi liquidado em 1987. Durante mais de 65 anos foi utilizado por pedestres, bondes, ônibus e carros, e veículos de tração animal. Em 1978, foi entregue reformado e reinaugurado como calçadão.

viaduto-santa-efigenia

Fonte: http://acervo.estadao.com.br/noticias/lugares,viaduto-santa-efigenia,8547,0.htm

viaduto-santa-efigeniaA concorrência para a construção do viaduto foi aberta em 2 de maio de 1908. Vinto concorrentes apresentaram seu projeto à prefeitura de São Paulo. Os projetos das empresas Giulio Micheli, Bromberg Haecker & Cia, Schmidt & Trost, Cia Mecânica Importadora, e Lion & Cia foram consideradas os melhores. A proposta vencedora foi a de Giulio Micheli da firma belga Aciéries d´Angleur, com um projeto bastante detalhado e um minucioso e preciso memorial de cálculo.

O viaduto com 225 m teria tabuleiro superior e seria formado por cinco tramos, sendo 3 centrais com 53.5 m com flecha de 7.50 m. O memorial de calculo justificativo foi da firma Aciéries d'Angleur com minúcias de precisão.

Eis algumas características do projeto definitivo; dois vãos de 30 m, em vigas retas de alma cheia e 3 vãos em arco com 55 m.com montantes verticais e longarinas de alma cheia. Tabuleiro Superior, com cinco vãos independentes, completando 225 m.de comprimento total, e com largura entre guarda corpos, de 13.60 m. Calçadas com 2.55 m.com oito cm de concreto e 2 de asfalto.

A via de transito foi pavimentada com blocos de granito (Paralelepípedos) (vide comentário no item reformas). O viaduto incluía duas vias de trilhos para bondes “elétricos”, com bitolas paralelas de 1.44 m, centradas em relação ao eixo. O sistema estrutural dos três tramos centrais com 55 m compreende arcos com três rótulas, com uma flecha de 7.5 m, ou seja, entre L/7 e L/8.

viaduto-santa-efigeniaOs quatro arcos paralelos são formados por vigas curvas em caixão, totalmente executadas em aço laminado e constituídas por duas almas de chapas, ligadas ás mesas e formadas por 4 cantoneiras e tiras de chapas, totalmente rebitadas. Com exceção dos guarda corpos em ferro fundido, toda a estrutura foi fabricada com aço laminado.

Montantes verticais se apoiam diretamente sobre os arcos e são equidistantes de 3,665 m, formando 15 painéis Uma longarina interliga os topos dos montantes no sentido longitudinal. Existem vigamentos transversais, interligando os quatro arcos paralelos, existindo os necessários contraventamentos verticais e horizontais.

A escolha do sistema de três rótulas, se deve ao fato de ser o sistema que deixa menos duvidas com relação à distribuição dos esforços. Além da preocupação com a estética geral do viaduto, que foi concebido em estilo “art nouveau“, foi dado cuidado especial para os guarda corpos e detalhes artísticos.

Foram feitos com volutas em ferro forjado, interligados por montantes em ferro fundido com adornos artísticos.

Um grande corrimão interliga os topos dos montantes e dá fixação ao conjunto de volutas. As longarinas externas são decoradas com rosáceas de ferro fundido (Vide comentário no item reformas).

viaduto-santa-efigeniaA estrutura, fabricada na Bélgica (em Sclessin), chegou ao porto de Santos, venceu as dificuldades da subida da Serra do Mar pela Estrada de Ferro S. Paulo Railway e foi montada entre 1911 e 1913 sob a supervisão do mestre de obras alemão Johann Grundt.

Na entrevista, publicada no dia 10 de janeiro de 1913 no Correio Paulistano, o engenheiro Julio Micheli informou que "a companhia belga enviou para aqui um habilíssimo pratico, o sr. Joseph Barbier, que muito nos auxiliou."

A estrutura chegou totalmente fabricada, sendo apenas montada no local, pela união por rebitagem das peças devidamente numeradas e com as furações prontas.

"Belíssimo é o panorama que se descortina do novo viaduto, cuja estética e solidez nos causam agradabilíssima impressão" escreveu o jornalista do "Correio de São Paulo" no domingo 27 de junho de 1913. Seu relato da inauguração do novo viaduto tem o titulo "Um melhoramento importante". Ele fez um relato detalhado dos testes de estabilidade: "Primeiramente a passagem de uma pipa da Light de 27 toneladas" que casou uma flexa de 7,5 mm no arco central, quando podia atingir, sem perigo para a segurança e estabilidade, uma de 36 mm. "Depois realizou-se uma outra passagem de 10 carros da Light, de 12 toneladas cada um, carregando completamente o arco nas duas linhas da bonde. Como a primeira vez, os resultados foram esplendidos. A flexa foi apenas de 5 mm quando a construção garante uma de 40 mm."

Acrescentou "As vigas são de uma homogeneidade de construção pouco vulgar. A perfeição da montagem nada deixa a desejar."

 

Fotos: Marc Storms

Fonte: http://www.metalica.com.br/historia-do-aco-viaduto-santa-efigenia