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Mabilde, Pierre François Alphonse (1806 - 1892)

Mabilde Alphonse
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Pierre François Alphonse Mabilde, conhecido também como Alfonso Mabilde (Gante, 30 de agosto de 1806 — São Leopoldo, 4 de dezembro de 1892), foi engenheiro, jornalista e antropólogo belga que emigrou para o Brasil.

Filho do belga Laurent Louis Mabilde e da inglesa Elisabeth Petronilla Booth, estudou engenharia na Universidade de Gante (segunda Wikipedia) e Liège (segunda Adriano Ballejos Mabilde). Ao formar-se foi convocado para servir o exército, junto com seus colegas - o que gerou uma revolta, logo abafada, mas que levou-o a emigrar para o Brasil.

A bordo do navio Rembrandt, no ano de 1833, aos vinte e seis anos de idade, Pierre François Alphonse Mabilde desembarca no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A partir de então, passa a adotar, abreviadamente, o nome de Alphonse Mabilde. No mesmo ano, foi admitido pela empresa belga Carrole & Forbes, sendo esta contratada pelo governo brasileiro para fazer o levantamento da planta e estudos necessários para a melhoria da Barra do Rio Grande. Alphonse trabalhou na empreitada até o ano de 1835, quando eclodiu a Revolução Farroupilha. Desligou-se da empresa e foi trabalhar no comércio em Porto Alegre.

Ofereceu-se a armar algumas canhoneiras para o governo de Araújo Ribeiro. Depois com a falência, em Porto Alegre de uma firma belga, a Fabre de Mossieles, foi nomeado liquidante. Concluída a tarefa estabeleceu-se como comerciante, trabalhando eventualmente na construção de casas e fazendo medições. Naturalizou-se brasileiro em 1848 e logo depois mudou-se para São Leopoldo, nomeado engenheiro das colônias, lá casou em primeiras núpcias com a imigrante alemã Christina Maria Magdalena Metz, de quem não teve filhos, viúvo, casou-se em segundas núpcias com a também imigrante alemã Ana Maria Ertel, com a qual teve dois filhos, viúvo pela segunda vez, casou-se novamente, com sua cunhada, Maria Luísa Ertel, com quem teve sete filhos.

Em 1839 estudou as possibilidades dos depósitos de carvão de Arroio dos Ratos.

Em 1849, chefiou uma expedição que abriu um caminho entre os campos de Vacaria e São Leopoldo.

Alphonse Mabilde foi nomeado tenente-coronel da Guarda Nacional em 22 de julho de 1850, sendo designado comandante do 2° Batalhão de Infantaria, e em 7 de maio de 1851 exonerou-se do cargo, ingressando em 24 de novembro como membro honorário da Associação Médico-Farmacêutica de Porto Alegre. Com este vínculo, escreveu em francês um tratado sobre História Natural e muitas notas sobre as plantas do Brasil.

Em 1857, depois de descobrir matéria-prima de ótima qualidade para fabricação de porcelana, em São Leopoldo, associou-se a Luís Afonso de Azambuja, partindo para a Europa para adquirir o maquinário, o qual trouxe para o Rio Grande do Sul, porém o empreendimento não vingou, por haver o governo imperial negado a licença para funcionamento da indústria.

Mabilde ApontamentosEntre os anos de 1855 - 1857 e 1859, Alphonse Mabilde foi vereador na Câmara Municipal de São Leopoldo. Ainda ocupou o cargo de subdelegado do 1° Distrito de São Leopoldo e de 1864 a 1870 foi diretor da Colônia de Santa Cruz do Sul. Um dia antes de completar 59 anos, em 29 de agosto de agosto de 1865, Mabilde encaminhou uma carta à Câmara Municipal de Rio Pardo informando sobre a reserva de uma área na Colônia de Santa Cruz para a nova povoação denominada Villa Thereza, atual cidade de Vera Cruz (RS).

Foi aprisionado por um grupo de índios Kaigang, perto de Santa Cruz do Sul, que o manteve por dois anos em cativeiro, tendo sua família o dado como morto. Escreveu sobre esta experiência um texto e 63 notas com o que pretendia escrever um livro. 0 texto foi publicado, após sua morte, no Anuário do Rio Grande do Sul de 1897 e 1899. Desta publicação o etnógrafo argentino, prof. Antônio Serrano, fez um resumo em espanhol, publicado em 1939 na Revista do Instituto de Antropologia da Universidade de Tucumán, na República Argentina. Em 1983 as bisnetas May Mabilde Lague e Eiwlys Mabilde Grant coordenaram texto e notas publicando Apontamentos sobre os índios selvagens da nação Coroados dos matos da província do Rio Grande do Sul.

Em 1860 fundou o jornal Der Deutsche Kolonist, em Porto Alegre. Em 1874 obteve permissão para explorar minas de sulfeto de cobre e outros minerais às margens do rio Quaraí, porém suas pesquisas foram infrutíferas.

Era hábil lapidador e ourives, tendo deixado para um filho uma coleção que foi posteriormente vendida para o Museus dos Jesuítas, em São Leopoldo.

Segundo Walter Spalding, “Alphonse Mabilde falava fluentemente o flamengo, francês, português, inglês, holandês, alemão, espanhol, italiano e não se atrapalhava com algumas línguas indígenas, especialmente o guarani e o caingangue”.

Alphonse Mabilde veio a falecer em 4 de dezembro de 1892, na cidade de São Leopoldo. Foi sepultado ao lado de sua segunda esposa.

Uma travessia em Porto Alegre, perto do aeroporto, tem o nome de Afonso Mabilde.

Fontes:

Foto: Dissertação Adriano Ballejos Mabilde p. 26