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Claraboia no prédio da Secretaria da Fazenda (São Paulo)

Location: 
Pátio do Colégio 184, São Paulo - São Paulo
São Paulo Claraboia 184
Data começo construção: 
quarta-feira, 7 Setembro, 1881
Data de inauguração: 
segunda-feira, 30 Março, 1891
Tombado: 
sim

A Secretaria da Fazenda foi a primeira de uma série de três edifícios públicos construídos no Pátio do Colégio pelo engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo. A pedra fundamental foi lançada no dia 7 de setembro de 1881 e orçadas as obras em cem contos de réis. Ficou pronto em 1886, embora a sua inauguração somente ocorresse em março de 1891.

Ramos de Azevedo - Secretaria Fazenda

O edifício, construído em estilo neoclássico, causou sensação na época de sua inauguração e foi considerado como obra de extrema beleza e bom gosto.

A Maria Amélia Salgado Loureiro considera o prédio como "marco inicial da transformação que daí por diante sofria a cidade de São Paulo, com a derrubada de seus velhos e acaçapados edifícios e a ereção das novas construções, de acentuado gosto europeu".

Eudes Campos escreve dentro sua obra magistral "Arquitetura Paulistana sob o Império" "A Tesoura de Fazenda (1886-1891), sede que o governo provincial mandara erguer anos antes para receber uma repartição do governo central e cuja obra jazia abandonada, foi logo recomeçada em novas bases.  É-nos desconhecida a aparência do edifício concebido em 1882 por Stevaux para aquele ponto do largo de Palácio, mas com toda a certeza era incomparavelmente inferior aos planos postos em execução por Ramos de Azevedo. Imaginado como uma massa compacta, de forma cúbica, e isolado das construções vizinhas tal qual o projeto anterior, o novo edifício da tesouraria veio contribuir para a organização do espaço urbano mais coerente da cidade nos últimos anos do século XIX – o primeiro centro cívico paulistano -, completado mais tarde com outros edifícios administrativos levantados pelo próprio Ramos de Azevedo." e continua

"De linhas muito bem definidas e superfícies parietais predominantes, provida de um anticorpo central no frontispício com colunas coríntias de fuste liso, apoiadas em pódio rusticado e a suportar um frontão triangular, a tesouraria parecia querer evocar alguns exemplares paladianos ou, antes, neopaladianos. Um sutil e intencional contraste foi criado entre o aspecto extremamente sereno e equilibrado deste prédio e o de seu vizinho contíguo, a Secretaria da Agricultura, de construção um pouco posterior. A época eram ambos considerados de estilo Renascença, mas notava-se que a sede da Secretaria da Agricultura (1891-1896) se filiava à escola alemã, em virtude de, sem dúvida, estarem as colunas de seu anticorpo com o terço inferior diferenciado por uma ornamentação de forte sabor maneirista. Na parte interna, o belo vestíbulo central da tesouraria, de pé-direito duplo e iluminado por uma ampla claraboia, e os recintos decorados com afrescos, dos quais se destacava o salão de honra, cuja decoração original ainda permanece, faziam, conjuntamente com seu admirável exterior, com que esse edifício representasse o marco inicial de uma etapa muito promissora na concepção de prédios administrativos na Capital. Expectativa logo satisfeita com a Secretaria de Agricultura, que, por se tratar do primeiro edifício público paulista da era republicana, não estava isento de uma mais acentuada pompa e mesmo de uma certa ufania celebrativa e exibicionista, facilmente identificável em alguns detalhes de sua decoração."

Estrutura metálica belga
O prédio vizinho, a Secretaria da Agricultura, tem uma claraboia com estrutura metálica de origem belga. Por isto, achamos que a origem da estrutura da claraboia neste prédio, também vem da Bélgica.
Estrutura metálica belgaEstrutura metálica belga
Hoje abriga a Secretaria da Justiça do Governo do Estado de São Paulo.

O conjunto arquitetônico da Secretaria da Justiça foi tombado pelo Decreto Municipal nº 26.818, de 09 de setembro de 1988, como integrante do acervo a ser preservado no núcleo histórico do “Páteo do Colégio”.

Fontes:

  • CAMPOS, Eudes. Arquitetura paulistana sob o Império: aspectos da formação da cultura burguesa em São Paulo. 1997. 814f. Tese (Doutorado em Arquitetura) – FAU USP. São Paulo. 4v. (p. 713 - 714)
  • A evolução da casa Paulistana e a arquitetura de Ramos de Azevedo / Maria Amélia Salgado Loureiro. - São Paulo: Voz do Oeste, 1981. p. 54.
Fotos: Marc Storms, abril 2015