Bandeira belga Rei Albert Visita 1920 Brasil Rainha Elisabeth Bandeira brasileira

Você está aqui

Essa foi a Visita de Estado mais sumptuosa da história diplomática moderna?

O Brasil não inventou o poder brando por ocasião do tour do rei e da rainha dos belgas no Brasil em 1920. Cidades da Grécia antiga e principados italianos do renascimento já eram mestres na arte de tentar conquistar os corações e mentes dos seus vizinhos em alianças e tratados de paz - e diplomacias culturais ou gastronômicas provavelmente datam da antiguidade, quando as melhores danças e carne de veado teriam sido usadas para persuadir os enviados de trégua da tribo rebelde além da colina.

Então, não é uma estreia. No entanto, a dimensão para a qual o Brasil alavancou a visita para mostrar suas conquistas artísticas, científicas e industriais da época continuará sendo única na história das relações exteriores modernas. De fato, muitas das maiores mentes criativas e inovadoras do país estiveram envolvidas no evento que durou um mês (sim!), junto com exploradores e aviadores, soldados e jogadores de futebol ... não esquecendo doações generosas de sociedades beneficentes e um empréstimo estatal considerável para nossa terra devastada.

Além da amizade entre os chefes de Estado dos dois países, a escolha da Bélgica como destinatário dessa exibição de força e habilidades muito extensa (e cara!) surpreendente? Nem um pouco ... e não apenas porque já éramos uma das maiores potências comerciais e investidores do Brasil. De fato, descrita por Ruy Barbosa em 1916 como a "barreira decisiva da civilização contra a barbárie", a heroica luta da Bélgica na Grande Guerra provou ser um catalisador para a adesão do Brasil ao conflito, tornando-se um ator diplomático global.

O caos político retornaria ao país logo após a visita, mas, apesar dos períodos sombrios de ditadura que se seguiriam, o domínio brasileiro do poder brando e do envolvimento multilateral nunca mais diminuiria. Graças a seus músicos e diplomatas, arquitetos e mantenedores da paz, pesquisadores e cinematógrafos, o país deveria reforçar constantemente sua posição internacional durante as décadas seguintes, para se tornar, no início do século XXI, o país que o mundo adorava amar.

A Bélgica, ainda um dos principais parceiros econômicos do país (seu segundo maior investidor final em 2018!), voltaria a receber a arte da diplomacia e a diplomacia da arte do Brasil em 2011-2012 com o Festival de Arte Europalia Brasil de três meses. Entretanto, outros marcos surgiram no meio tempo: as exposições “Brasil constrói” e “Pinturas brasileiras modernas” em Nova York e Londres durante a Segunda Guerra Mundial, Copas do Mundo e Jogos Olímpicos, Bossa Nova de 1962 em Carnegie Hall, Conferência do Rio e Carnavais .

Contudo, mesmo segundo os tradicionalmente altos padrões de política externa do Brasil, a Visita Real de 1920 continua sendo um feito incomparável de diplomacia pública, principalmente por causa da grande densidade e diversidade dos eventos que a marcaram. Essa riqueza proporcionou inúmeras possibilidades possíveis para comemorar o centenário, mas não consigo pensar em uma maneira melhor do que a que o Patrimônio belga no Brasil, a partir de 19 de setembro, nos oferecerá para acompanhar diariamente o casal real belga em sua inacreditável viagem ao Brasil!

Embaixador belga Patrick HermanPatrick Herman, Embaixador da Bélgica no Brasil

Português, Brasil