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Dyle et Bacalan (1879-1928)

Ateliers la Dyle Louvain
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A empresa "Ateliers de la Dyle" foi fundado em 1866 como "Société en Commandite A. Durieux et Cie" para Louis Bosmans e Aimé Durieux em Leuven (Bélgica). O engenheiro Aimé Durieux nasceu em Nivelles e mudou-se para Leuven em 1867, onde ele era juiz e conselheiro. O Ateliers de la Dyle foi localizado na esquina entre o canal, o Vuurkruisenlaan e a linha ferroviária.

Ateliers de la Dyle Leuven PortoAteliers de la Dyle Leuven Bélgica

Estufas LakenA empresa construi equipamentos ferroviários, bondes, mas também toca-discos, guinchos, guindastes, pontes e estruturas de aço, incluindo as estufas do palacio do Rei em Laken (perto de Bruxelas).

Em 1879, fundiu-se com a "Société des Chantiers de Bacalan" em Bordeaux e formou o "S. A. Travaux Dyle et Bacalan". A empresa era ativa na construção de veículos ferroviários, navios e aeronaves, bem como obras públicas. 

O Decreto Nº 7.886, de 9 de Novembro de 1880, autorizou a Sociedade Anonyma de Trabalhos Dyle & Bacalan a funcionar no Brasil. O sue representante no Império era Aimé Durieux. 

Nos anos 1880-1885, a "S.A. Travaux Dyle et Bacalan" participava da "Companhia Geral de Ferrovias Brasileiras" (Compagnie Générale des Chemins de fer Brésiliens) e trabalhou na construção da ferrovia Paranaguá - Curitiba (Paraná), conhecida como «A Charmosa». 

No seu livro “Notas de um viajante brasileiro”  nas páginas 246 e 247, o jornalista, banqueiro e político brasileiro, Francisco Belisário Soares de Sousa descreve, a sua visita no começo do ano 1881 ao departamento em Lovaina :  “Na primeira fábrica que entrei, em Louvain, a Dyle, uma grande fundição, notei vários objetos para as estradas de ferro de D. Pedro II, para a Bahia, e sobretudo para o Paraná; estava também em estudos uma ponte para a estrada de ferro de Cantagalo, cujos dados fornecidos deixavam alguma coisa a desejar pelo lado da precisão e clareza, como acontece muito as nossas encomendas. Há anos esta fábrica trabalha para o Brasil com a mais perfeita honradez, segundo me asseverou o nosso patrício [Francisco Pereira Passos], me companheiro de viagem, autoridade competente para julgar e dar testemunho. Os seus trabalhos se distinguem pela perfeição, pontualidade, exatidão e modicidade dos preços. Examinando-se a fábrica, seus processos aperfeiçoados, o espirito de progresso, de melhoramento que nela domina, a boa direção e a inteireza de seus proprietários, compreende-se que assim deve ser.” 

Ateliers de la Dyle Leuven pre-montagem de ponte

Vagão Imperial de 1886 Dyle

Em 1886, a "S.A. Travaux Dyle et Bacalan" construiu o Carro Imperial: assim denominado por ter servido ao imperador Dom Pedro II. Este atendeu ao imperador Dom Pedro II e sua família nas viagens que faziam pelo Brasil. É composto por uma sala com cerca de quinze cadeiras e um toalete. A decoração conserva os móveis da época, como sofás, jarros usados para lavar as mãos e escarradeiras ao lado das poltronas.

Em 1902 comprou a empresa "Société Belge Métallurgique de fabrication des Corps Creux". Em torno deste tempo, estava também envolvido na indústria automotiva. Construíou por volta de 1906 vários carros de luxo de grande porte, mas, em seguida, focou na produção de chassis para outras empresas, incluindo ALP, Hermes e SACA. 

SA Travaux Dyle et Bacalan

O anúncio de 1914 acima afirma que a sede da empresa esteve em Paris, e que o departamento em Leuven era especializado em material  erroviária, em pontes e estrutúras metalicas.

Só em Leuven trabalhavam por volta de 1914 cerca de 2.500 funcionários e a empresa exportou para o Brasil, a Espanha e a África do Sul.

Durante a Primeira Guerra Mondial, a fábrica foi incendiada.

O Diário Oficial de 5 de julho de 1925 informa nas páginas 14059-14060 o contrato com Soares de Sampaio & Comp., representantes da SA de Travaux Dyle & Bacalan, para o fornecimento de material rodante destinado a diversas estradas de ferro da União: Central do Brasil, Oeste de Minas, Noroeste do Brasil, Baturité, São Luis a Therezina, Central do Rio Grande do Norte, Central do Piaú e Goiás.

No Arquivo Público da cidade Lovaina na Bélgica, achamos um catálogo (sem data – provavelmente entre 1920 e 1928) dos “Ateliers de la Dyle et Bacalan” que contem fotos de carros ferroviários exportados pelo Brasil. Entre elas pela “Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande”, “Chemin de Fer de ‘Est Brésilien”, “Rede Sul Mineira” e a “Viação Férrea do Rio Grande do Sul”. 

A empresa foi dividida em 1928. A seção belga foi chamado a partir de então "Ateliers de la Dyle". Os Ateliers forneceram 1500 vagões fechados de cargo geral e também vagões de transporte de frutas para a Estrade de Ferro Sorocabana em 1935. 

Foi novamente queimado na Segunda Guerra Mundial. Em 1962, faz parte de "Ateliers Belges Réunis" (ABR).

Os edifícios em Leuven foram vendidos em 1968 para AMBEV.

Société anonyme des Ateliers de la Dyle á Louvain Belgique

Álbum com 87 fotos disponível no site da Biblioteca Nacional da Espanha - descrição http://bdh.bne.es/bnesearch/detalle/3041887

Fontes

http://nl.wikipedia.org/wiki/Ateliers_de_la_Dyle

http://www.diplomatie.be/saopaulo/default.asp?id=63&mnu=63

http://www2.senado.leg.br/bdsf/item/id/242536 - veja p. 226-227

Texto e pesquisa: Marc Storms