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Franki

Franki_Estaca
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O sistema de estacas de concreto armado moldados e cravados no solo para sustentar grandes construções foi aperfeiçoado por um engenheiro de Liège, Bélgica, Edgard Frankignoul (1882 - 1954) e patenteado como "estaca Franki". Para operar na construção pesada pelo mundo inteiro, fundou em 1910 com Armand Baar primeiro a Société des Pieux Armés Frankignoul, e o ano depois a Compagnie Internationale des Pieux Armés Frankignoul.

Em 1935 abriu uma filial brasileira no Rio de Janeiro e no dia 11 de setembro de 1935 criou as primeiras estacas na construção da Casa Publicadora Baptista. O diretor desta filial era o engenheiro francês Pierre Moreau e os conducteurs de travaux os belgas Gaston Ducot, Paul Lahaye e Ernest Van Mulders. Logo depois, a filial interveio na construção de grandes prédios, como o Hospital do Servidor Público, a Estação Dom Pedro II, o Aeroporto Santos Dumont , o Ministério da Educação e Saúde e o Edifício Brasília, na Avenida Rio Branco, na cidade de Rio de Janeiro, e de obras como o túnel 9 de Julho, o hipodromo Jockey Clube, em São Paulo, a Escola Militar em Rezende (RJ), a nova fábrica da Belgo-Mineira em Monlevade (MG), a Prefeitura de Santos, e os viadutos na Via Anchieta, a primeira rodovia entre São Paulo e Santos. Operou no Brasil inteiro e teve participação importante em obras na construção da nova capital em Brasília onde construiu as fundações do Palácio do Congresso, dos Ministérios, a Catedral e o Palácio dos Arcos. 

“O espetáculo era deslumbrante. Guindastes bracejavam, transportando material dos caminhões para os canteiros de obras. Polias giravam, fazendo andar as esteiras rolantes que levavam o cimento para as fôrmas de madeira. Homens corriam. Buzinas roncavam. O próprio chão estremecia, rasgado pelas Estacas Franki. Os edifícios iam surgindo da terra, perfurada em todas as direções. Cada obra ostentava uma tabuleta com os dizeres: ‘Iniciada no dia tal. Será concluída no dia tal.’ Além das tabuletas, havia a minha fiscalização pessoal. Conversava com os operários, lembrando-lhes a necessidade de que a cidade ficasse pronta no prazo prefixado”. (KUBITSCHEK de Oliveira, Juscelino. Por que construí Brasília. Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1975, p. 81) .

Brasilia Catedral Franki

Desde 1938 contou com a colaboração de engenheiros brasileiros e em janeiro de 1940 se transformou em empresa brasileira, Estacas Franki, fundada no Rio de Janeiro. Logo depois abriu filiales em São Paulo e Belo Horizonte, como respetivamente o diretor Marius Carlier e Maurice Van Mulders. Criou em 1942 seu próprio Laboratório de Mecânica dos Solos. Dessa forma, constituiu um caso exemplar de empresa estrangeiro rapidamente integrada na tecnologia e na economia nacional.

processo executivo da estaca tipo Franki tradicional consiste em cravar no terreno um tubo com a ponta fechada por uma "bucha" de brita e areia, socada com energia por um pilão de queda livre, que arrasta o tubo por atrito, obtendo-se ao final da cravação uma forma absolutamente estanque. Ao atingir a profundidade estimada, o tubo é levantado ligeiramente e mantido imóvel pelos cabos do bate-estacas, expulsando-se a bucha através de golpes de pilão, tomando-se o cuidado de deixar no tubo uma certa quantidade de bucha para garantir a estanqueidade. Nesta fase, introduz-se concreto seco sob golpes de pilão formando no terreno a base alargada. 

A armadura é constituída de barras longitudinais e estribo espiral soldado, mesmo que assolicitações a que a estaca venha a ser submetida não indiquem a sua necessidade, usa-se uma armadura mínima de ordem construtiva. Uma vez colocada a armadura, concreta-se o fuste da estaca apiloando-se concreto seco em pequenas quantidades ao mesmo tempo em que o tubo é retirado do terreno, mantendo-se uma altura de concreto dentro do tubo, suficiente para impedir a entrada de água e do solo. 

O patente de Frankignoul entrou no domínio público a partir de 1960.

Fontes:

Fotos:

Texto e pesquisa: Marc Storms, março de 2016