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Família MUYLAERT no Campos dos Goytacazes (RJ)

Existem no Brasil muitas pessoas com sobrenome Muylaert. Todos são descendentes de um casal belga: Carolus Benedictus (Charles Benoît) Muylaert, que no Brasil foi chamado de Carlos Benedito Muylaert, e Maria Theresia (Marie Thérèse ou Maria Teresa) Stienen .

Ele nasceu em Grembergen, no dia 2 de dezembro de 1796, filho de Ludovico Muylaert e Catharina Wael. Ela, nascida em Dendermonde a 26 de outubro de 1807, era filha de Guilherme Stienen e Petronilha de Bock. Casaram-se em Appels em 24 de novembro de 1831 e estabeleceram-se provavelmente na rua Steenweg, nº 1. Carolus era carpinteiro e Maria Theresia "spinnersse" ou fiadeira como consta no Registro de População 1836-1846 do município de Appels.

Por algum motivo, vieram para o Brasil. Isto aconteceu em novembro de 1843.

Muylaert Appels Bevolkingsregister 1836-1846

fonte: Registro de População 1836-1846 do município de Appels

Muylaert Appels Parochieregister Sint-Appolonia

Fonte: Registro da Paróquia da Santa-Appolonia do município de Appels

Charles e Maria Teresia tinham sete filhos, dos quais as primeiros seis nasceram na Bélgica. O primeiro filho nasceu antes do casamento e por isso não consta no Registro da Paróquia da Santa-Appolonia do município de Appels. 

  1. Pedro (Petrus) Muylaert, batizado no município de Appels (Bélgica), em 4 de abril de 1831. Casou-se com Helena Rita de Souza em Campos, no dia 20 de janeiro de 1866. Faleceu no dia 12 de janeiro de 1880.
  2. Maria Luísa (Maria Ludovica) Muylaert, nasceu em 20 de dezembro de 1832, em Appels (Bélgica). Casou-se no dia 1º de agosto de 1850, com Miguel Barrabino, que nasceu na Sardenha (Itália).
  3. José (Joannes Josephus) Muylaert, nasceu em 18 de março de 1835, em Appels (Bélgica). Faleceu em Campos dos Goytacazes, em 2 de agosto de 1871. Foi casado com Rita Maria Pessanha.
  4. Joana (Joanna Francisca) Muylaert nasceu em 19 de maio de 1837, em Appels (Bélgica). Segundo informações, ela teria ficado cega e foi residir com seu irmão Francisco, na chácara da Beira Valão, nº 100. Teria morrido na década de 1910.
  5. Francisco (Franciscus) Muylaert, nasceu em 12 de outubro de 1839, em Appels (Bélgica). Casou-se no dia 12 de agosto de 1863 com Antônia Maria da Silva Pio. Faleceu em Campos dos Goytacazes, no dia 5 de dezembro de 1912.
  6. Leopoldo (Leopoldos) Muylaert, nasceu em 14 de novembro de 1841, em Appels (Bélgica). Casou-se em 23 de junho de 1866 com Luísa Maria da Costa Leão, descendente de índios goitacases.. Leopoldo faleceu em Campos dos Goytacazes, no dia 12 de outubro de 1913. Era professor e músico (maestro). Citado na pág. 250 do Vol. 7 do Anuário Genealógico Latino.
  7. Ana Muylaert, nasceu em Campos dos Goytacazes, em março de 1845.

Após o desembarque no porto do Rio de Janeiro, dirigiram-se para Campos dos Goytacazes, onde fixaram residência. Carolus Benedictus faleceu em Campos dos Goytacazes antes do casamento de sua filha Joana, ocorrido em 1853. Maria Theresia também faleceu antes de 1853.

Pedro e Francisco se estabeleceram como funileiros no município de Campos dos Goytacazes, como informa o Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial de Rio de Janeiro. A oficina de Pedro ficou na Rua Direita 20.

Leopoldo lecionou música de manhã na sua residência, a chácara Covas d’Aréa, e, na tarda nas salas dos ensaios da reunião musical Phil’Euterpe (é regente desde pelo menos 1874), rua Direita 9. Executava a flauta, como instrumente principal. Segundo uma fonte, foi aluno do maestro francês Alfredo Claudel, que residiu em Campos. Leopoldo deu aulas de piano, criou composições de música, e foi secretário da Sociedade União Artística Beneficente em Campos dos Goytacazes. Entre 1880 e 1883, participou da Sociedade Musical Amantes do Loto e dirigiu a banda do Clube Musical Carlos Gomes. Em 1886 e 1887 trabalhou intensamente nas solenidades religiosas, dirigindo o Grêmio Musical e a Phil'Euterpe. Nos anos 1887 e 1888 dirigiu a Corporação Musical Santa Cecília do Campos dos Goytacazes, também conhecida como Orquestra Santa Cecília. Escreve Vicente Rangel (p. 133-134) : [...] aponta o ano de 1871 como marco da dedicação exclusiva de Leopoldo à música, após ter sido comerciante nas "Covas d'Area", antigo nome da região hoje conhecida como o grande bairro da Avenida Pelinca. [...] O maestro Muylaert deu sua contribuição decisiva para a música de Campos na direção da banda Phil'Euterpe (depois transformada em orquestra), da banda da Corporação Musical Lira Guarani, fundada em 1893, e sobretudo no legado imenso personificado em seus filhos e netos, que ajudaram a mover por longos anos a viada musica de nossa terra. Também sua contribuição ao movimento de música sacra em Campos é inestimável, setor este em que também sobressaiu seu irmão Francisco e sua respectiva família. [...]

O casal Leopoldo - Luísa Maria teve 9 filhos que tiveram atuação destacada como musicistas profissionais, regendo, compondo, ensinando e integrando orquestras de teatros e cinemas. O mais velho Alberto (1866 – 1924), tocou junto com o pai, mais também sozinho piano durante diferentes concertos em Campos. É citado como "distinto professor de piona" e como "compositor, regente, pianista, crítico musical e professor, promotor e estimulador da vida artítstica baiana". Alberto mudou-se para a Bahia para estudar Medicina, onde se diplomou em 1893. Uma vez médico, prosseguiu a prática do magistério pianístico no Conservatório de Música da Bahia, do qual foi professor e diretor interino. Exerceu também o cargo de redator e crítico musical. Carlos (? - 1930) era pianista e violonista, professor e regente. Também dirigiu orquestras regularmente em teatros, cinemas e casas noturnas, tendo ingressado no ensino público, lecionava no Escola Normal que funcionava no Liceu de Campos, a partir de 1921. Argemira era a conhecida violinista e pianista professora Lalá Muylaert), Corina (Didi, contrabaixista), Leopoldo Junior (1878-1960) compositor e maestro, tendo no Direito sua atividade principal como Juiz e Desembargador, Lélia (contrabaixista), Olympia e Etelvina (pianistas).

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Ana, a filha mais nova do casal Charles e Maria Teresia, a única que nasceu no Brasil, não pode ser confundida com, provavelmente a mais conhecida descendente, Anna Muylaert (°1964) (também escrito como Ana Luísa Machado da Silva Muylaert), o nome por trás do filme ‘Que Horas Ela Volta?’, cineasta, diretora de televisão e roteirista brasileira. Ela, é a mais velha das três filhas de Celina e Roberto Muylaert.

Roberto (°1935) é jornalista, engenheiro, empresário e ocupou o cargo de presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). Foi presidente da Fundação Bienal de São Paulo e organizou a exposição Tradição e Ruptura (1984) e a 18a Bienal de São Paulo em 1985. Foi diretor da TV Cultura entre 1986 e 1995. É pai da cineasta Anna, da editora e empresária Marilia e da paisagista Ana Clara. Seu avô é o já mencionado médico Alberto.

O sobrenome Muylaert não significa "moleiro", como no alemão "Müller", como explica o https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Muylaert. Os sobrenomes Muijl(l)aert, Muyl(l)aert, Mullaert, Meulaerts, Mulert são baseados na palavra flamenga “muil” que significa “careta” ou no verbo “muilen of snoet zetten, een zuur gezicht trekken, morren “ ou “fazer uma careta, fazer boquinha, murmurar” (fonte: Woordenboek van de familienamen in België en Noord-Frankrijk (grondig herziene en vermeerderde uitgave) Dr. Frans Debrabandere - L.J. Veen /Het Taalfonds 2003 http://home.scarlet.be/~tsd22610/FpageMi.htm )

Eddy Stols informa que no contexto de Pedra Lisa [veja http://belgianclub.com.br/pt-br/coloniza%C3%A7%C3%A3o-belga-em-pedra-lisa-campos-dos-goytacazes-rdj] situou-se a vinda a Campos [dos Goytacazes] do casal Charles Muylaert, originário de Aalst [sic], cidade próxima a Zele, que deixou numerosa descendência no Brasil, ativa na música e nas artes. É bem possível que o Charles Muylaert conhecia Ludgero Nelis. A cidade de Grembergen fica a pouca distância da cidade de Zele, origem do Nelis.

Pesquisa: Marc Storms

Fontes:

  • Livro "Recortes de memória musical de Campos (1839 - 1965): Subsídios musicais para a construção de uma história da cultura campista / Vicente Marins Rangel Junior. - Itaperuna: Damadá Artes Gráficas, 1992. 
  • Sainte-Cathérine du Brésil ou os belges em Santa Catarina / Eddy Stols. p. 22-23 Em: Brasil e Bélgica: Cinco séculos de conexões e interações. – São Paulo: Narrativa Um, 2014.
  • http://www.marcopolo.pro.br/genealogia/paginas/fam_muy.htm arvóre genealogico da família Muylaert por Reinaldo de Araújo Lima
  • Jornal "Monitor Campista"
  • http://www.rmkeramiek.nl/geneawww/ontstaan%20naam.htm sobre o significado do nome Muylaert (em holandês)
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