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Família Vervloet em Santa Leopoldina (ES)

Jean Joseph Vervloet e sua esposa Anne Marie Van Isterdael com seus 06 filhos deixaram a Bélgica rumo ao Brazil em dezembro do ano de 1858. 

JEAN JOSEPH VERVLOET e sua esposa ANNE MARIE VAN ISTERDAEL chegaram em 1859 em Santa Leopoldina

JEAN JOSEPH VERVLOET ( 40 anos) e sua esposa ANNE MARIE VAN ISTERDAEL (34 anos) deixaram a Bélgica rumo ao Brazil em dezembro do ano de 1858 acompanhados dos seguintes filhos: 

  1. Jean Baptiste Vervloet com 13 anos 
  2. Jerôme Sebastian Vervloet com 10 anos 
  3. Marie Amélie Vervloet com 07 anos 
  4. François Auguste Vervloet com 03 anos 
  5. Joseph Lucien Vervloet com 02 anos incompletos. 
  6. Seu filho Victor Antony Vervloet não embarcou. Estava doente e necessitava de cuidados médicos especiais. Ficou na Bélgica até completar 18 anos. Veio para o Brasil em 1872. 

Anne Marie, que estava grávida quando deixou a Bélgica teve sua filha Eugenie ainda no navio já ancorado no Porto do Rio de Janeiro. 
DATA DA SAÍDA DA BÉLGICA: 15 de dezembro de 1858. 
DATA DA CHEGADA AO PORTO DO RIO DE JANEIRO/BRASIL: 19 de abril de 1859. 
DATA DA SUA CHEGADA AO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO; 02 de Maio de 1859. 
CHEGADA EM LUXEMBURGO/PORTO DE CACHOEIRO: maio de 1859. 

Em 1859 a família fixou residência em Santa Leopoldina (antigo Porto de Cachoeiro), na região de Luxemburgo, perto da Suíça antiga sede desse Município no Estado de Espírito Santo. Os três nomes de maior destaque dessa família belga foram o patriarca: Jean Joseph, naturalizado brasileiro como João José e seus dois filhos mais velhos: Jean Baptiste (João) e Jerôme Sebastien (Jeronymo). A eles se deve o início do comércio local (loja e compra e venda de café em Luxemburgo). Comércio importador e exportador e comércio atacadista e varejista através de suas três firmas: V & J.Vervloet em Luxemburgo, J.Vervloet & Cia. no Porto de Cachoeiro e Vervloet. Irmão & Cia. em Timbuy (hoje Santa Teresa). 

A eles devemos, também, a primeira exportação de café da região para a Europa, a construção das primeiras casas residenciais e comerciais no Porto de Cachoeiro, a iluminação da cidade, o abastecimento da cidade com água encanada e a exploração do Rio Santa Maria através da sua firma: Cia. de Navegação Fluvial quando interligaram o Rio Santa Maria ao Oceano Atlântico, interligando também, o Porto de Cachoeiro à Vitória, capital do Estado. 

Jeronymo Vervloet

Vervloet JeronymoO Jeronymo nasceu em 1849 na Bélgica. A cidade aonde nasceu e a data exacta são desconhecidas. Era importador, exportador e político. Em 1873 casou-se com Ida Barth, alemã, nascida em Berlim. Após seu casamento residiu menos de dois anos no distrito de Luxemburgo, antiga colônia de Santa Leopoldina (ES) hoje atual município que leva o mesmo nome. Em 1875 passou a residir na região denominada Timbuy, atual município de Santa Teresa – Estado do Espírito Santo – Brasil.

Vervloet Importadores e ExportadoresFoi naquele recanto que Jeronymo fundou, em parceria com seu pai João José  e seu irmão João, a empresa VERVLOET IRMÃO & CIA firma importadora e exportadora que dominou aqueles dois municípios por mais de 50 anos. Foi também nessa região que Jeronymo envolveu-se com política, quando foi formada a Primeira Intendência da então Vila de Santa Teresa constituída por cinco intendentes. Jeronymo Vervloet foi o primeiro intendente nomeado Presidente dessa Intendência no ano 1891. Exerceu o cargo de Presidente do Município de Santa Teresa por dois períodos: 22/02/1891 a 23/03/1891 e de 30/01/1892 a 20/02/1892.

 

Vervloet Cia de navegação fluvialJeronymo Vervloet fundou a CIA DE NAVEGAÇÃO FLUVIAL para exploração do Rio Santa Maria interligando por via fluvial o município de Santa Leopoldina ao Porto de Vitória – capital do Estado do Espírito Santo – Brasil. Suas canoas serviam de transporte fluvial para passageiros e também, para o transporte de café, quando elas voltavam carregadas de mercadorias para abastecimento das lojas de suas empresas. Não existia estrada de rodagem naquela época. 

Após a morte de seu pai, ocorrida em 1900 e a partida de seu irmão João Vervloet para a cidade do Rio de Janeiro, Jeronymo Vervloet, em 1901, estabeleceu-se no Porto de Cachoeiro, Município de Santa Leopoldina. Transferiu a matriz da empresa VERVLOET IRMÃO & CIA para as proximidades do Porto cujo local era mais apropriado para expansão de seus negócios, transformando a Matriz de Santa Teresa em filial. Essas mudanças ocorreram na data de 30 de junho de 1901.

A firma Vervloet Irmão & Cia tinham correspondentes em Hamburgo, principal porto da Alemanha, que se encarregavam de todas as compras no mercado europeu. Através desse porto, a firma Vervloet Irmão & Cia importava da Europa, todos os tipos de utensílios domésticos, ferramentas, tecidos, bebidas, instrumentos musicais, comestíveis, rendas finas, porcelanas de Sévres, de Limoges, de Macau, brinquedos, perfumes franceses, máquinas de costura, máquinas falantes (vitrolas a corda), artigos de utilidades pessoais como roupas, chapéus, sombrinhas, guarda-chuvas, bolsas, sapatos, ternos, mais: cristais da Bohemia, pianos, móveis, vinhos: alemães, franceses e portugueses; frutas frescas importadas da Bélgica (uvas, peras, maçãs), doces cristalizados, frutas de Natal (nozes, avelãs, amêndoas, tâmaras e uva- passa), relógios Cuco e carrilhões, máquinas fotográficas Kodak, etc...

Essas mercadorias chegavam em navios até o Porto de Vitória. O transporte até Santa Leopoldina era feito através das canoas da Cia. de Navegação Fluvial, cuja concessão já haviam obtido do Governo do Estado. De Santa Leopoldina para Luxemburgo, Suíça e Santa Teresa essas mercadorias eram transportadas através de tropas, até a construção da estrada ligando o Porto a Santa Teresa.

Vervloet Irmão & Cia era também distribuidora de um vinho alemão que engarrafado no Brasil, levava o nome de Vinho Jeronymo.

Nessa época, Jeronymo Vervloet já formava uma verdadeira potência financeira. Era progressista, amante de melhoramentos e de novidades. Atuava no comércio varejista e atacadista no Estado do Espírito Santo - Brasil e dedicava-se com intensidade à exportação de café.

De 1901 a 1909 manteve residência nessas duas cidades devido aos seus compromissos políticos, período em que revesava-se na administração da Prefeitura de Santa Teresa com Carlos Avancini. Períodos que ocupou o cargo de Presidente do Governo Municipal (Prefeito) de Santa Teresa: de 02-02-1900 a 01-06-1902 – de 01-09-1902 a 22-10-1903 e de 22-02-1904 a 23-05-1909. Após essa data radicou-se definitivamente com sua família no Porto, deixando a filial de Santa Teresa aos cuidados de seu filho primogênito: José Eugênio Vervloet, já com 24 anos de idade. Seu filho Victor Hugo Vervloet não o acompanhou. Já casado, continuou residindo em Santa Teresa. Jeronymo Vervloet prosseguiu dirigindo a Matriz assessorado por seus filhos Francisco Alfredo Vervloet e João Jeronymo Vervloet até o ano de 1913 quando veio a falecer, na data de 20 de maio de 1913, com 64 anos, deixando por testamento a sucessão da empresa para esses três filhos.

Jeronymo Vervloet foi homenageado com uma avenida com o seu nome, a Av. Jerônimo Vervloet no bairro Maria Ortiz na cidade de Vitória (ES), e com a Rua Jerônimo Vervloet em Santa Teresa (ES).

Filhos de Jeronymo e Ida
  1. JOÃO JERONYMO VERVLOET foi o primeiro filho a contrair núpcias. Casou-se com ERMÍNIA GASPARINI, na data de 06-10-1900, na vila de Santa Teresa, na casa das audiências do Governo Municipal. João estava com a idade de 24 anos e Ermínia, com 17 anos.
  2. JOSÉ EUGÊNIO VERVLOET casou-se com ANSELMA BROILO de descendência austro-italiana, na data de 07-09-1901. José Eugênio Vervloet estava com a idade de 27 anos e Anselma Broilo com 20 anos.
  3. EUGÊNIA VERVLOET casou-se com JOSÉ JOAQUIM GOMES, de descendência portuguesa, no mesmo dia e hora que seu irmão José Eugênio Vervloet, ou seja, na data de 07-09-1901.
  4. VICTOR HUGO VERVLOET casou-se com LAVÍNIA GASPARINI, de descendência italiana, na data de 30-07-1904. Casaram-se na sala do Governo Municipal de Santa Teresa, estando no exercício de Juiz distrital o cidadão Luiz Muller. Victor Hugo com a idade de 25 anos e Lavínia com 18 anos. Lavínia era irmã de Ermínia já casada com João Jeronymo Vervloet.
  5. AMÉLIA IDA VERVLOET casou-se com o engenheiro FRANCISCO TAUMATURGO DE FARIA. 
  6. LÚCIA VERVLOET casou-se com o negociante da praça do Rio de Janeiro, LUIZ TEYKAL. 
  7. FRANCISCO ALFREDO VERVLOET casou-se com JÚLIA RIBEIRO DE BARCELLOS, na data de 18-02-1911, na cidade do Porto de Cachoeiro, comarca de Santa Leopoldina. Ele com 28 anos e ela com 22 anos.  Era prefeito de Santa Leopoldina de 1920 a 1922 e de 1925 a 1928.
  8. IDA LUÍSA VERVLOET casou-se com o advogado ANTÔNIO PEDRO DA SILVEIRA, na data de 27-05-1911 na residência do Coronel Duarte de Carvalho Amarante, Juiz de Direito suplente.Ela com 19 anos e ele com 22 anos.
  9. CARLOTA MARIA VERVLOET, a filha caçula do casal,, casou-se com o cirurgião dentista, OTTO EWALD JÚNIOR, na data de 29-03-1913. Carlota e Otto tinham a idade de 21 anos.
Casas construídas para os Vervloet em Santa Leopoldina

04 casas construídas para os Vervloet no município de Santa Leopoldina (ES), todas na Rua do Comércio, foram tombadas. 

Vervloet Rua do Comércio 43

TIPOLOGIA:  armazém;

ENDEREÇO: Rua do Comércio, nº 43, sede Santa Leopoldina;

PROTEÇÃO LEGAL: Resolução nº5/1983 do Conselho Estadual de Cultura, Inscrição no Livro do Tombo Histórico sob nº 32 a 68, folhas 4v a 7v;

DESCRIÇÃO ARQUITETÔNICA:  Erguida em passagem de século (1901), se destinou à armazenagem de café por dois importantes comerciantes de Santa Leopoldina (João Vervloet e José Reisen). Configurado pela sequencia de dois volumes, com fachada marcada pelos vãos de portas, essas valorizadas pela moldura em relevo que as contorna. Os vãos das portas em gradil e folhas em madeira são delineados em arco pleno, seguindo padrão clássico, a Inscrição na fachada traz referência a seu fundador “J 1901 V”.

Vervloet Rua do Comércio 51

TIPOLOGIA:  comercial e resindencial;

ENDEREÇO: Rua do Comércio, nº 51 a 53, sede, Santa Leopoldina (atual 1609 e 1617);

PROTEÇÃO LEGAL: Resolução nº5/1983 do Conselho Estadual de Cultura, Inscrição no Livro do Tombo Histórico sob nº 32 a 68, folhas 4v a 7v;

DESCRIÇÃO ARQUITETÔNICA: Construído pela família Vervloet em dois momentos, Volumes diferenciados por falsos pilares em relevo, unificados pela adoção de mesma volumetria, escala e linguagem. Com tratamento mais rústico no térreo e alvenaria lisa no pavimento superior, esse marcado com estreitos balcões em gradil.

Vervloet Rua do Comércio 54

TIPOLOGIA: comércio, residência e armazém;

ENDEREÇO: Rua do Comércio, nº 54, Sede, Santa Leopoldina;

PROTEÇÃO LEGAL: Resolução nº 5/1983 do Conselho Estadual de Cultura, Inscrição no Livro do Tombo Histórico sob nº 32 a 68, folhas 4v a 7v;

DESCRIÇÃO ARQUITETÔNICA:  Pertencente originalmente a João Vervloet, a escala e refinamento estético o torna referência de significado comercial em Santa Leopoldina. Principal função comercialização e armazenamento de café.  Linguagem compositiva presente na moldura que contorna os vãos de porta e na sequencia de frisos e cornija horizontalmente dispostas na extensão da fachada.

Vervloet Rua do Comércio 58

TIPOLOGIA:  comercial e residencial;

ENDEREÇO: Rua do Comércio, nº 58, 60, 62 (atuais 1634, 1638, 1640, 1644);

PROTEÇÃO LEGAL:  Resolução nº 5/1983 do Conselho Estadual de Cultura, Inscrição no livro do Tombo Histórico sob nº 32 a 68, folhas 4v a 7v;

DESCRIÇÃO ARQUITETÔNICA: de impactante tridimensionalidade, unidade compositiva conduz a disposição, ritmo e equilíbrio das fachadas, com aberturas em número de quatro, tanto para uso comercial como para residencial, ocupando toda extensão da fachada, as varandas são espaços de transição entre o mundo público e o mundo privado da família Vervloet. Posicionadas em linha, apenas interrompida por cornijas no nível dos balcões do pavimento residencial. A esquina é marcada por leve curvatura.

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