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van Humbeeck José (? - 1916)

Arquiteto belga Van Humbeeck Assinatura
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O arquiteto José [Joseph] Van Humbeeck prestou serviços à Superintendência (Diretoria de Obras Públicas, Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas - SACOP) do Estado de São Paulo desde sua contratação como desenhista de primeira classe em 1896 até sua morte vinte anos depois em 1916. No inicio, limita-se a projetar instalações complementares dos projetos realizados, mas aos poucos vai recebendo outras responsabilidades. Ele assinará a partir do século XX um grande número de soluções para prédios escolares.

Das 126 escolas tombadas pelo Condephaat (Estado de São Paulo), o arquiteto belga José Van Humbeeck projetou 40!

José van Humbeeck quem projetou dezenas de escolas durante a Velha República (1889/1930) é um arquiteto completamente desconhecido sobre o qual não se conserva sequer o prontuário funcional, como de resto de nenhum funcionário antigo da secretaria de Obras. Ele é um personagem cuja participação é inquestionável na história da arquitetura escolar paulista, escreve Silvia Ferreira Santos Wolff no livro "Escolas para a república: os primeiros passos da arquitetura das escolas públicas paulistas" (EDUSP, 2010). Além de sua prolongada permanência no serviço público, José van Humbeeck não deixou outros traços na arquitetura paulista.

O resultado do trabalho dos arquitetos funcionários públicos, no entanto, permanece, pois dificilmente têm sido destruídos prédios oficiais em São Paulo. Seus nomes e dados pessoais, porém, perdem-se no animato, vez por outra quebrado por algum que, como Victor Dubrugas, não resistiu a um trabalho tão pouco reconhecido e estabeleceu-se como profissional liberal. Mas seja por seu volume quantitativamente expressivo, seja por representarem o fruto de uma atividade cotidiana no interior das repartições públicas, o trabalho desses desconhecidos profissionais deve ser recuperado do esquecimento.

Quem era, onde nasceu e se formou, são algumas das questões que seu nome ainda deixa sem respostas. Mas depois muita pesquisa, foi resolvida a questão da sua nacionalidade. O jornal O Estadão escreve que ele é europeu. Para mim, o seu sobrenome parece de origem belga que é bem popular na Bélgica, Ernest Van Humbeeck (1839 - 1907), por exemplo, era um arquiteto belga - veja https://fr.wikipedia.org/wiki/Ernest_Van_Humbeeck e Pierre Van Humbeeck (1829 - 1890) foi o primeiro Ministro da Educação na Bélgica. E graça à ajuda da Flávia Urzua, do Centro de Documentação do Museu Paulista, foi achado um corte de jornal publicado no Estado de São Paulo no dia 2 de fevereiro de 1916 que afirma a nacionalidade belga do arquiteto van Humbeeck. Curiosamente esta notícia não aparece na busca digital dentro o acervo do Estadão.

Faleceu traz-ante-ontem, nesta capital, o sr. Dr. José Van Humbeeck, funcionário da Secretaria da Agricultura, onde exercia o cargo de arquiteto do escritório técnico da Diretoria de Obras Públicas.
O finado, que aqui residia ha cerca de 30 anos, cercado do conceito de que se tornara merecedor, era natural da Bélgica.
Ao seu enterro, que se realizou anteontem, saindo o corpo do Instituto Paulista para o cemitério da Consolação, compareceram muitos colegas e amigos do extinto, representantes da colônia belga e o dr. Alfredo Braga, director das Obras Públicas, representando o sr. Dr. Cardoso de Almeida, secretário interino da Agricultura.

O Diário Oficial do dia 21 de abril de 1896 publicou na página 16584 o expediente do dia anterior. Era um aviso do secretário da Agricultura [do Estado de São Paulo], informando a admissão do engenheiro arquiteto José van Humbeeck como ajudante extranumerário da 1° secção. É provado que ele trabalhou em 1898 para a Superintendência de obras públicas. Descobrimos termos de recebimento provisório e definitivo com datas 6/8 e 15/12/1898 que encontram-se no Arquivo Público do Estado de São Paulo (Ano 1898 – caixa 148 – ordem 4268). José Van Humbeeck assinou com Engenheiro – architecto.

Catharina Kroelen José Van HumbeeckAlém de prédios escolares, Van Humbeeck atuou em diversas commissões da cidade de São Paulo. Um exemplo é sua participação na sessão ordinaria da camara municpal, junto com o engenheiro Ramos de Azevedo e os políticos Padua Salles, Washington Luis e Olvao Egydio, que examinou os projetos para a construção da novo penitenciaria como anotou o Correio Paulistano na página 1 da edição de 19 de março de 1910.

O jornal Correio Paulistano de 26 de junho de 1903 publicou um agradecimento de José Van Humbeeck aos seus amigos em relação ao falecimento da sua esposa Catharina Kroelen. Achamos uma referencia à Catharina Kroelen, nascida em 14/08/1875 na cidade de Utrecht nos Paises-Baixos. Será que essa Catharina era a sua pessoa?

Quem de nossos leitores pode ajudar e nos fornecer informações adicionais sobre a data e lugar de nascimento e aonde ele estudou? 
Há parentes com sobrenome van Humbeeck que moram no Brasil?
Por favor, entre em contato.

Texto e pesquisa: Marc Storms, coordinador Patrimônio belga no Brasil

Projetos de escolas

van Humbeeck IECC

O livro Escolas para a república enoumera os seguintes projetos: 

1900 – 10 salas, 2 pavimentos

1900 – 8 salas em 2 pavimentos, cópia integral de Piracicaba

- 1901 – Esquema em torno de um pátio

1901, 10 salas, planta básica de Campinas, em dois pavimentos sobre porão, fachada fixa neoclássica

- 1902, 2 pavimentos, 12 salas, esquema básico, fachada como Avaré

- 1905, Construção, solução em trono de pátio, 8 ou 10 salas, frontão com brasão da república e inscrição “Grupo Escolar”

- 1909, 8 salas, solução térrea esquema que incorpora alas, como a de pátios, a um núcleo central

- 1910, Planta em U, acessos laterais; fachada simples no primeiro projeto da série de Humbeeck e com variações ornamentais na recriação por Maroni

- 1911, 6 a 10 salas, variándo esquema de alas e núcleo central, térreos – Autoria Humbeeck / Sabater

- 1911 – 10 salas, térreo, circulação em U volume articulado

- 1911 – 3 volumes térreos articulados

- 1913

O livro "Patrimônio escolar: uma saga republicana" (Governo do Estado de São Paulo, 2013 - Coleção Patrimônio Paulista, vol. 4) enumera as mesmas escolas (algumas com data diferente) e acrescenta a lista com as escolas seguintes:

- 1907

- 1910

- 1911

- 1914

Escreveu Margarida Cintra Gordinho em "Patrimônio escolar: uma saga republicana": No início do século XX, as muitas escolas projetadas pro José Van Humbeeck remetiam a fachadas neoclássicas e plantas simétricas. Ele foi o responsável pelas construções térreas simples, adequadas para as cidades do interior, que dispunham de terrenos maiores.

Das 126 escolas, todas com tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em 2010, implantadas pelo governo do estado de São Paulo entre 1890 e 1930, o arquiteto belga José Van Humbeeck projetou 40!

Addendum

Silvia Wolff sobre José van Humbeeck

fonte: páginas 214 - 219 do livro "Escolas para a república: os primeiros passos da arquitetura das escolas públicas paulistas" (EDUSP, 2010).

“Enquanto esses profissionais se retiram, começa a despontar na realização de projetos escolares o arquiteto José van Humbeeck. Um arquiteto que, também dos quadros da Superintendência, assinará a partir do século XX um grande número de soluções para prédios escolares.

Humbeeck já vinha prestando serviços à Superintendência desde sua contratação como desenhista de primeira classe em 1896. No inicio, limita-se a projetar instalações complementares dos projetos realizados, mas aos poucos vai recebendo outras responsabilidades.

Além de sua prolongada permanência no serviço público, José van Humbeeck não deixou outros traços na arquitetura paulista. Quem era, onde estudou e qual a sua nacionalidade são algumas das questões que seu nome deixa sem respostas. È um arquiteto completamente desconhecido sobre o qual não se conserva sequer o prontuário funcional, como de resto de nenhum funcionário antigo da secretaria de Obras.

A primeira escola cujo projeto Humbeeck assina, em 1897, é um prédio de dez salas que elabora a partir do esquema básico tradicional de oito. Alterando o sentido dos retângulos de que se compõem as salas de aula em um dos lados da circulação central, consegue incluir três outras na face fronteira e obter cinco classes por pavimento. Esquema que propõe para Jáu, mas que não é realizado de imediato, sendo retomado apenas em 1901.

Em termos de subdivisão das alas masculina e feminina, essa proposta significou um retrocesso em relação às tentativas de separação dos prédios em alas simétricas e estanques, cujos antecedentes eram as escolas do Brás, de Amparo e de Mogi Mirim.

É também em 1901 que Humbeeck realiza uma cópia integral – planta e fachadas – ao projeto de Dubrugas para Piracicaba, e apresenta-o para a construção do Grupo Escolar de Taubaté. ... É surpreendente que a cópia tenho sido integral, pois há muito a superintendência vinha se debatendo com a inadequação da solução de oito salas. ...

O próprio Humbeeck projeta a solução. Não as alterações propostas, que de resto implicariam demolições, mas os indefectíveis anexos térreos com uma sala de aula cada.  Recurso que vinha sendo empregado desde sua criação, por Ramos de Azevedo, durante a execução da escola de Campinas.  ...

Humbeeck não foi o único a repetir, sem revisões, propostas imperfeitas projetadas anteriormente. Ramos de Azevedo, contratado nesse ano diretamente pela câmara de Araras para projetar um prédio escolar, propõe rigorosamente o mesmo esquema, originariamente de sua autoria, com as duas salinhas anexas. ...

Uma outra precariedade de funcionamento dos grupos escolares, em seu esquema básico, levou Humbeeck no final do século a propor uma engenhosa solução, posteriormente incorporada já na concepção dos projetos. Criou para as escolas de Campinas e Santos uma divisória desmontável de madeira, em substituição a uma parede entre duas salas de aula. Esse recurso permitia a obtenção de um amplo salão para dias de solenidades que não seriam possíveis de realizar, em função das dimensões, em salas comuns. Será, futuramente, utilizado já nos projetos originais de escolas no interior....

Em 1901, Humbeeck já estava desenvolvendo sua própria solução para um prédio de dez salas de aula, a partir da ideia que criara originalmente para Jaú. Nessa data, projeta o primeiro modelo inteiramente padronizado - plantas e fachadas idênticas – a ser efetivamente utilizado pelo governo paulista. No próprio projeto de jaú, o primeiro, e no de Avaré, concebe fachadas individualizadas, mas para Mogi das Cruzes, Limeira, São Carlos e Riberão Preto repete rigorosamente o mesmo esquema, também na aparência.

Uma fachada sóbria, cuja composição era marcada por elementos que muito simplificadamente lembravam sua inspiração de origem neoclássica. Vãos de arco pleno no térreo e de vergas retas no primeiro, frisos horizontais marcados nos revestimentos, recriando a aparência das construções de pedra do Renascimento, e platibandas singelamente decoradas. Centralizando a composição, um pequeno frontão que apenas coroava a platibanda, sem extravasar seus limites, e onde se inscrevia claramente a função do edifício, um Grupo Escolar. Com a ampliação do programa e poucas alterações na planta, o mesmo projeto de fachada foi responsável, ainda, pelas construções das escolas de São João da Boa Vista e de Rio Claro, em 1902. Essas modificações, porém, foram fruto de imposições da Secretaria do Interior.

No início da década de 1910, quando ocorrer uma produção muito grande de prédios escolares, Humbeeck ainda estará trabalhando na repartição de obras públicas. É um arquiteto que não assinará projetos de prédios grandiosos. Seu nome associa-se à arquitetura escolar não por gestos geniais ou por criações plásticas marcantes. A estética de seus projetos vai ser tornando, especialmente nos projetos térreos que desenvolverá, pouco imaginativa; talvez correta, mas efetivamente sem brilho.

Sua contribuição, no entanto, se faz por seu trabalho como profissional de atuação longeva e dedicada. Humbeeck já estava presente quando Victor Dubrugas experimentava no século XIX, ainda estará quando novos profissionais inovarem nos anos 1910. E, ainda, participará muito ativamente da grande produção desse momento. ...

Dessa forma, foi o transmissor da experiência e até o responsável por momentos de inflexão e mudança na trajetória da arquitetura escolar paulista. Não foi genial, não se destacou, não transpôs os limites de atuação de um obscuro funcionário público. Mas trabalho e conhecimento não se produzem apenas com grandes feitos e José van Humbeeck, esse obscuro arquiteto da repartição de obras, é um personagem cuja participação é inquestionável na história da arquitetura escolar paulista.”

Patrimônio criado

Piracicaba ESALQ Van Humbeeck
Van Humbeeck José Cajuru EE
Van Humbeeck José Santos EE Visconde de São Leopoldo
Van Humbeeck José  Sertãozinho
Van Humbeeck José EE Cordeiropolis
Van Humbeeck José Limeira
Van Humbeeck José Cachoeira Paulista EE
Van Humbeeck José Avaré EE
Van Humbeeck José Bebedouro EE
Van Humbeeck José Descalvado EE
Van Humbeeck José Bragança EE
Van Humbeeck José Brotas EE
Van Humbeeck José Caçapava EE
Van Humbeeck José Faxina EE
Van Humbeeck José Igarapava EE
Van Humbeeck José Itararé EE
Van Humbeeck José Itatinga
Van Humbeeck José Ituverava
Van Humbeeck José Jardinópolis
Van Humbeeck José Jaú
Van Humbeeck José EMEF Lençois Paulista
Van Humbeeck José Matão EE
Van Humbeeck José Mogi das Cruzes
Van Humbeeck José Mogi Guaçu EE
Van Humbeeck José Orlandia EMEF
Van Humbeeck José Pereiras EMEF
Van Humbeeck José Pindamonganhaba EE Pujol
Van Humbeeck José Ribeirão Preto EE
Van Humbeeck José Rio Claro
Van Humbeeck José Santa Bárbara EE
Van Humbeeck José Santo André
Van Humbeeck José Santa Cruz do Rio Pardo
Van Humbeeck José São Bento de Sapucai
Van Humbeeck José São Carlos
Van Humbeeck José São João de Boa Vista
Van Humbeeck José EMEF Bocaina
Van Humbeeck José  São Pedro
Van Humbeeck José  São Simão
Van Humbeeck José Tambaú
Van Humbeeck José Taubaté EE
Van Humbeeck José EMEF Bocaina

Escolas projetadas por José Van Humbeeck