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Estrada de Ferro Pitangui-Patos

No último quartel do século XIX, em 1883, o engenheiro Olegário Dias Maciel, natural de Bom Despacho, com atuação política em Patos de Minas, assumiu o cargo de superintendente da Companhia Belga da Estrada de Ferro Pitangui-Patos, primeira referência histórica a respeito da via férrea que deveria ligar a região de Belo Horizonte ao Noroeste de Minas, na direção de Goiás.

Naquela época, já nos últimos anos do Império, Pitangui ainda mantinha o charme e a importância de uma das metrópoles da Minas colonial – centro irradiador de colonização e desenvolvimento. Enquanto isso, o arraial de Santo Antônio dos Patos, atual Patos de Minas – sob a liderança do bondespachense Antônio Dias Maciel, pai do engenheiro Olegário Maciel – firmava-se com vila promissora, a meio caminho de Paracatu com suas tradições de cultura e o esplendor de minas de ouro.

As idéias e iniciativas para construir a ligação ferroviária entre Pitangui e Paracatu envolveram inclusive a criação de uma empresa binacional, instituída pelo Brasil e a Bélgica: a mencionada Companhia da Estrada de Ferro Pitangui-Patos.

Escreve Hermillo Alves na Revista de Estradas de Ferro em 1889 (p. 117-118):

O segundo grande ramo da rede de caminhos de ferro do Oeste de Minas, que se dirige por Bom Successo, Oliveira, Ermida da Matta, Desterro e Espirito Santo do Itapecerica a Pitanguy, vai ser prolongado d'esta cidade para Patos, passando nas imediações da Abbadia, Dores do Indaia e S. Gothardo, e cortando a grande seção navegável do Alto S. Francisco.
A Companhia Belga, cessionária d'essa linha, de Pitanguy a Patos e que já tem adiantados os estudos definitivos e projeto, não deverá realizar a sua construção, sem que o governo provincial lhe conceda a redução da bitola, igualando-a à do Oeste de Minas, cujo prolongamento ela será.
A questão do capital garantido não poderá ser apresentada como objeção a essa redução de bitola, porque o que a lei marcou foi o capital máximo de 8.000:000$00, sendo muito provável que o orçamento para uma linha de bitola de 1,00m elevase a quantia muito superior aquela, atentas a extensão total, que deverá exceder de 300 kilometros.
Seja como for, a redução da bitola é indispensável para evitarem-se as badeações em Pitanguy, e também para que não fique campo aberto a especuladores que procurão fazer a ligação dessa linha de Pitanguy para a Estrada de Ferro D. Pedro II, usurpando assim direitos adquiridos pela Oeste de Minas, e prejudicando os cofres provincais.

Para fortalecer a economia mineira, o governo de Artur Bernardes (1922 - 1926) adquiriu a ferrovia de Patos (na verdade a estrada de ferro, nunca chegou a Patos), incorporando-lhe o acervo mineiro da Estrada de Ferro Goiás e encampando a Rede Sul Mineira, numa decisão política importante. No dia 10 de janeiro de 1920, o “Minas Gerais”, órgão oficial do Governo do Estado, publicou uma nota que dizia: “Em solenidade popular muito bastante concorrida foi feita a demarcação do local onde será construída a Estrada de Ferro Paracatu, em Bom Despacho”, sendo que a inauguração da Estação Ferroviária de Bom Despacho se deu em 21 de outubro de 1921.

Fontes