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Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande

O engenheiro João Teixeira Soares projetou, em 1887, o traçado de uma estrada-de-ferro entre Itararé (SP) e Santa Maria (RS), com 1.403 km de extensão, para ligar a então Província de São Paulo, Província do Paraná, Província de Santa Catarina e Província do Rio Grande do Sul pelo interior, o que permitiria a conexão, por ferrovia, do Rio de Janeiro à Argentina e ao Uruguai.

Em 9 de novembro de 1889, poucos dias antes da proclamação da república brasileira, o Imperador D. Pedro II outorgou a concessão dessa estrada-de-ferro a Teixeira Soares. Sua construção teve início em 1897, no sentido norte-sul, tendo o trecho de 264 km entre Itararé e Rio Iguaçu (em Porto União) sido concluído em 1905.

Em 1908 Percival Farquhar, através de sua holding Brazil Railway Company, adquiriu o controle da Companhia de Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande (EFSPRG).

O trecho de Porto União a Taquaral Liso foi inaugurado em 3 de abril de 1909 pelo presidente Afonso Pena.

A estrada de ferro foi solenemente inaugurada em 17 de dezembro de 1910. Uma enchente ocorrida em maio de 1911 derrubou a ponte provisória, de madeira, sobre o Rio Uruguai, interrompendo seu tráfego, que só voltou a ser totalmente restabelecido quando da instalação, em 1912, da ponte de aço fabricada na Bélgica que se encontra em serviço até hoje.

O "Relatório do Ministério da Viação e Obras Públicas" de 1912 informa na pagina 252 que 150 vagões duplos de 28 toneladas, destinados a animais e mercadorias, da linha de Itararé ao Uruguay, são de fabrico belga. Orelatório não menciona o nome do fabricante belga. Quase temos certeza que foram fabricado pelas "Les ateliers métallurgique" de Nivelles. Na página 45 do catálogo desta empresa belga (sem data) achamos uma foto de um vagão fechado com dois eixos exportado para a Estrado de Ferro "São Paulo - Rio Grande. O vagão mede 12,000 metros e poderia carregar 28 toneladas em bitola de 1 metro. 

E no ano seguinte, este relatório fez uma enumeração efetivo do material rodante em 1913 (p. 559). Constam os seguintes carros de procedência belga: 8 carros duplos correio e bagagem, 200 vagões duplos cobertos para mercadorias e 50 vagões duplos cobertos para animais e 10 vagões gondola.

No Arquivo Público da cidade Lovaina na Bélgica, achamos um catálogo (sem data – provavelmente entre 1920 e 1928) dos “Ateliers de la Dyle et Bacalan” que contem fotos de carros ferroviários exportados pelo Brasil.  Entre elas, este vagão de passageiros, um carro dormitório de 4 eixos com 7 compartimentos de bitola de 1 metro, pela “Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande”.

Locomotivas ou vagões belgas usados nesta linha